09 novembro 2009

A verdade é esta

Desde que me fiz homem e comecei a compreender
A engrenagem que sou numa vasta máquina
Incompreensível que me alimentam o estômago
E os bolsos vazios de promessas ou pão duro.
Há negócios a ganhar e não há espaço para contemplar
A amizade cega para o trabalho gratuito, para o tempo
Perdido nas vagas promessas e pedidos concretos,
Para os problemas digestivos por amor à arte
- se amor for aquela cegueira ou loucura que nos confunde
A economia. Eu sei que isto não interessa nem pouco
Nem nada e as horas preenchidas na teimosia de fazer
As coisas correctas valem como boas intenções sem sentido
Prático. A garganta arranhada com todo pão e promessas
Dados já não consegue nem falar para explicar a situação
Do corpo e das regras que o contém: não há como escapar
Da organização social e resta-nos ficar cada vez mais semelhantes
À idade do corpo, do número que nos deram para nome.
Nesta era do vazio somos a letra miúda do contrato lavrado
Para maior conveniência de quem oferece o serviço e,
Depois de tudo terminado, abrimos a camisa
No final de mais um dia de trabalho num gesto de débil revolta,
Causa e expressão da nossa juventude perdida. Envelhecer é isto:
Perder a fé nas crenças ou acabar ainda mais agarrados
A elas e ao peso das decisões impossíveis sem a voz egoísta
        - a verdade é esta.

1 comentário:

sarita disse...

auch: vagas promessas e pedidos concretos.