Segue o teu caminho,
faz as tuas férias,
ama as tuas coisas.
O resto são memórias
de mundos alheios.
A realidade palpável
é sempre muito menos
do que desejamos.
Mesmo nós somos
muitas vezes menos
do que queríamos ser.
Suave é estar só. Talvez
encontrar alguém que
viva os mesmos sonhos
e tenha a mesma carteira
para os cumprir. Deixar
a dor sobre mesas e camas
de hotel como um ex-voto
aos deuses abandonados.
Vê a vida ao longe.
Não te aproximes.
Ela já não tem nada
para te dizer. Os deuses
já não te falam como dantes.
Serenamente, entedia-te
no Olimpo gelado e asséptico
do teu coração cheio de ruínas
e pedestais caídos. Os deuses
são deuses enquanto não pensam.
(como é mais que óbvio, esta é uma adaptação bastante livre do poema de Ricardo Reis. a ideia era exactamente pegar nesse texto, e no sub-texto, e transformá-lo em algo que fosse representativo de pulsões mais contemporâneas, esvaziando-o do abandono material, da entrega à natureza e da confiança no panteão divino, que alguém ou algo cuida de nós.)
1 comentário:
grande.
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