19 novembro 2007

tight jeans

tight jeans
& asses
new body assets
with blank eyes
& false steps in high-heels

insinuating love
in empty hallways

as I'm down & out
& she-lions and jaguars
try to kill me
with uptight noses
smelling young lust from thighs
and the past sex in my hands

angels do not burn
& love is far from me

& why did you leave me now
amongst the freaks of the fair?

building paper world
bureaucrats,
street cats and savage
drug-mad pornstars
- with no one to fuck some life into.

I say it again

angels do not burn
& the world is...
confusion of the senses.

I will say it again and again
untill someone understands

angels do not burn
and come from skin
into skin
& are best understood
when beast surrounds
the selfish ego.

with false steps in high-heels
& blank eyes,
new body assets
in tight jeans
are only seen,
some feel, all forget.

angels burn memory
on to your skin.

02 novembro 2007

Rapaz Muco escapa à cilada

Os olhos abrem-se. Perante ele a paisagem de toda uma vida: livros caídos pelo chão, papéis colados pelas paredes de madeira, monitores reluzentes cheios de nada, cursores que piscam ao ritmo do tempo.

Rapaz Muco nem acredita que conseguiu regressar. As responsabilidades do dia tinham terminado. Ele sentia-se cansado com o inútil cansaço do dever cumprido; do insignificante trabalho feito; das miseráveis obrigações impostas e vividas.

As interrogações habituais já não são suficientes. O silêncio e a confusão diária levantam outras perguntas – armas dúplices e perigosas. Onde está o meu espaço? Não suportava o emprego que lhe davam à vida. Há dias que não vejo ninguém. Para onde foram os meus amigos? As vozes já não me chegam através dos imprevistos dias… os meus dias delimitam-se todos dentro do tabuleiro da previsibilidade. Estava só. Perdido entre memórias e ilusões, náufrago.

Os frágeis elos que o uniam aos outros humanos eram devorados pelos insectos que lhe invadiam o sono e ele passava horas frente a uma janela aberta, olhando um mundo que não compreendia ou não aceitava: sempre a mesma imutável face dos prédios; o púrpura do amanhecer; o espírito ansioso.

Continuo acordado – uma imensa pressão na minha cabeça – e a claridade matinal desenha os objectos de irrealidade: uma aura branca que nos permite nomear os objectos sem lhes reconhecer uma forma exacta. O corpo da janela é uma prisão de sombra, uma teia de aranha onde tento capturar a perturbante beleza do dia… como se fosse uma tela e eu um qualquer artista.

É cómico… o único tempo para sonhar que ainda tenho são os dias. Essas pequenas pausas entre ocupações que me atiram para as mãos. As noites, esta insónia clara, despertam-me, não me dão descanso. Há tanto ainda a fazer, a ver… mesmo a pensar. Recuso-me a acreditar que tudo está feito e experimentado.

Pobre rapaz, perdido entre ilusões. A idade avança sobre ele. Com ela chegam acrescidas responsabilidades, um certo modo de vida. E onde se encaixa ele com todas as suas dúvidas e existências frustradas? De lado. Fora do enquadramento. É um daqueles fantasmas que circulam fora da órbita do olhar. Sai da sua caverna, faz o seu papel, regressa ainda mais selvagem do que partiu. O tempo é um adversário temível.

Agora penso afinal que o mundo é um enigma benigno, que a nossa loucura torna terrível porque pretende interpretá-lo de acordo com a nossa própria verdadee a nossa verdade é uma coisa terrível. A realidade eternamente manietada pelas reduções dos sentidos, pela tacanhez do intelecto…

Tirou os óculos e carregou no enter. A máquina apitou em discordância. Ele carregou novamente no enter. Novo apito dissonante. Alt+Control+Delete, painel de controlo, terminar processo. Encerrar? Claramente que é preciso encerrar! Click – e o computador exala o seu último suspiro.

Rapaz Muco levanta-se. Escapou a esta cilada. E prepara-se para cair em novo engano.

20 outubro 2007

Poncho Sanchez & Oscar D'Leon - Bésame Mama




Um pouco do calor tropical para o início do Outono...
Peçam água de côco... apreciem o pôr-do-sol...
Digam as palavras mágicas.

19 outubro 2007

Rapaz Muco descobre a vida

Rapaz Muco deu por si atrás de um volante, numa via de aceleração - direcção, PORTO.
Não sabia exactamente o que fazia ali. Olhou em volta, conferiu os espelhos e atacou o IP descongestionado. Preferiu continuar a conduzir a deixar o carro perder o controlo - achou que não valia a pena perder a vida para descobrir porque estava ali.

Algo acabará por surgir... acontece sempre assim nos filmes - e em algumas histórias daquelas que uma pessoa pode ler. É como se a imaginação, essa representação de nós mesmos, tivesse medo de parar.Do horror ao vazio a natureza passa a ter horror à inacção...mas tal como o vazio, será que a inacção existe? ou é o que sobra entre as acções? esses contactos de moléculas, de rodas dentadas a encaixar, de uma continuidade a ser criada, sempre em risco de constante explosão?

Pensava isto e conduzia libertando-se habilmente de carros perseguidores, faixa da esquerda, acelera de cabeça vazia, olhar arguto, mãos dominadoras sobre a máquina. Qual é o próximo passo?

Esperar um telefonema... nem o narrador informaram do rumo desta história? Enfim, são 20h30 de um qualquer domingo, nunca nada acontece aos domingos..., e conduzimos com Rapaz Muco. Muito vago, mas indiciador: para onde é que ele vai? de onde veio? Podemos até acrescentar um porquê, quando e de onde saiu... onde vai chegar? e com quem?

Passa a ponte da Arrábida. As mangas indicam vento lateral, vindo do mar, pouco forte. Amanhã vai estar bom tempo, um pouco frio de manhã. Olhar de novo em frente, escolher um destino ou deixar rolar? Está distraído, ausente seria mais correcto. Olha em volta como se não fosse daquela estrada que está farto de percorrer; como se procurasse atalhos para chegar aonde não sabe que vai.

O rádio limita-se à sua tarefa de preencher os silêncios. Ele nem o ouve claramente de tão absorvido que está. Não posso continuar a andar aqui às voltas. Tenho de me lembrar para onde queria ir... e de como lá chegar já agora. Travagem súbita, carro a cruzar duas faixas de rodagem, buzinadelas várias, sinais de luzes persistentes... É com cada freak! Este pessoal ainda me mata.

Só lhe resta continuar. Entre rios, pontes e overdrives impressionantes estruturas de lama se erguem; luzes medindo a métrica à poesia do caminho. E nem o telefonema acontece. Só é ele e a noite de alcatrão. Ele ataca este dragão pisando mais um pouco o acelerador. O motor geme, cansado, e corresponde lentamente.

Rapaz Muco está encurralado. Apareceu aqui, procura a vida e apenas tem uma estrada negra e circular. Ele passa pelas saídas, soletra os nomes à procura do seu destino e rapidamente os ignora. Assim, nunca vai encontrar nada.

Atenção aos radares. O pé levanta-se automaticamente. Não se pode arriscar a afundar o seu frágil orçamento com a possibilidade de uma multa. Será que devia sair e ir ao hospital? Esta situação não me parece normal. Então dou por mim dentro de um carro, sem passado e com um futuro incerto... tenho em mim a impressão de ter memórias, de ter tido uma pessoa a crescer em mim... mas para onde foi ela? Sinto-me como se tivesse acordado e esquecido o sonho que me acordou.

Os hospitais sempre o aterrorizaram... médicos de afiados caninos e mãos enfeitadas de garras fazem parte do seu pesadelo genético. Um pouco mais e começa a descer em direcção ao Freixo. Vai aparecer um estádio, um shopping, vários apartamentos e escritórios para o exército dos favorecidos. A lei marcial do consumo e da concentração - da oferta e das pessoas.

Outro radar... Nada disto me interessa. Que situação estúpida. Ando aqui às voltas, não acontece nada, nem a merda do telefone toca. Ainda para mais parece que os maluquinhos vieram todos para a estrada. Para que é que saí de casa?

Em breve vai meter ponto-morto e deixar-se levar... acho que vou meter isto em ponto morto e deixar-me ir na descida... a ver se poupo um bocado de gasolina. como dizia, deixar-se levar até à entrada da ponte. Há um sinal que já lhe despertou a atenção: GAIA CENTRO.

Algo dentro dele diz-lhe que é por ali. Que por ali se regressa a casa. Que por ali o sonho termina e ele pode, finalmente, acordar .

09 outubro 2007

The Death of Charlie "Bird" Parker



Surrealisticamente estranha é a história da morte deste senhor. Músico brilhante, segundo uns pai do "bop", segundo outros mais uma criatura triste e solitária dona de um génio musical que o impelia a dar a voz que não tinha a um objecto inanimado chamado saxofone. Foi morto pelo seu sentido de humor... e por anos de vida.

07 outubro 2007

That Bowery Song

That Bowery Song
Babyshambles


What's that song we use to sing?
It's about anything, everything and anything
What's that song we use to sing?
You are always thinking of her
You're in love and you don't know what to say
But I saw her at the fair
And she feels the same way
She was married by the merry-go-round

The merry-go-round
The merry-go-round
Merrily we go round

It was the first one of the day
It was the last one of the night
Oh hold me tight, hold me tight, hold me tight now

It was the first one of the day
It was the last one of the night
Oh hold me tight, hold me tight, hold me tight now

There's a parade of girls outside
That boy's so shy, why'd you punch out his lights?

They said you were wrongened
But I can see in your eyes
How you are gentle and wise
And you had the good stuff

There's a parade of girls outside
That boy's so shy, why'd you punch out his lights?

What was that song you used to sing?
What was that song we used to sing?
What was that song you used to sing?
What was that song we used to sing?
Sing that song we used to sing

What was that song you used to sing?
It's about anything and everything
Everything and anything
The times of your life, the people that we meet

It was the first one of the day
It was the last one of the night
It was the first one of the day
It was the last one of the night
Oh hold me tight, hold me tight, hold me tight now

There's a parade of girls outside
That boy's so shy, why'd you punch out his lights?

You have always thinking of her
You're in love and you don't know what to say
But I saw her at the fair
And she feels the same way
She was married by the merry-go-round

The merry-go-round
The merry-go-round
Merrily we go round
Merry-go-round

05 outubro 2007

Declaro

                                                                                                     foto por: quase.


          declaro o amor

          a cabeça vazia
sem o teu olhar

          um surdo sorriso
sob a chuva ininterrupta

          a boca seca de palavras
no deserto do nervosismo

          entre incertos gestos perdido
reencontro ainda o teu calor