se de todos os dias tivesse de escolher um
escolheria sempre o primeiro
o que vivo e revivo todos os dias
contra os escolhos embato
sem nunca dar parte de fraco
e o embaraço notório ou ilusório
é apenas parte de mais um dia
mais uma hora
mais um lugar
onde não queria estar
com o abraço do cansaço sobre o ombro
solitário
sempre solidário em papel atestado e averbado
e agora divago mas rapidamente assumo o controlo
escolheria sempre o primeiro dia
sem preocupações em ser compreendido ou compreender
porque nem sempre na ânsia de viver há tempo para pensar
na noite sem sonhos
no silêncio diário
a bordo da nave do desencontro
sem livro de bordo a bordo da nave do desencontro
o primeiro dia revivido vezes e vezes sem conta
o primeiro dia revivido vezes e vezes sem conta
o primeiro dia revivido vezes e vezes sem conta
o primeiro dia revivido vezes e vezes sem conta
até ser um brinquedo partido
uma memória gasta
uma fotografia rompida pelos dedos
um incendiado porto de abrigo
que perdura seguro na memória fraca
escolheria sempre o primeiro dia de sol
escolheria sempre o primeiro dia de chuva
escolheria sempre o primeiro dia do primeiro toque
que surgiu depois do primeiro olhar
que surgiu depois do primeiro sorriso
que surgiu no primeiro dia
depois da primeira palavra debaixo do sol
que a chuva apagou no segundo dia
escolheria sempre o primeiro dia
da primeira palavra no primeiro som
escolheria sempre o primeiro dia do meu mundo
que não conhecia as flores do silêncio
escolheria todos os dias
o primeiro dia
do meu primeiro dia
13 dezembro 2007
19 novembro 2007
boas pessoal
Muito boa noite aos milhares e milhares e até diria algumas dezenas de pessoas que vão passando por este belo blog que já está parado há algum tempo. De repente dei por mim preocupado com o que as pessoas poderiam pensar e decidi informar sobre as razões que levaram à paradela em que isto se encontra.
Gostaria de começar por dizer que a paradela, a haver, é toda minha. Comecei o semestre a meio, Bolonha (essa amarga massa europeia) trouxe como side dish uma carrada de trabalhos para serem realizados para todas as disciplinas e mais algumas, estou desempregado - e, surpreendentemente até, isso não me ajuda em rigorosamente nada.
Não tenho escrito porque não tenho nada para dizer, excepto talvez o regresso do rapaz muco (usado à má fila num trabalho para a cadeira de rádio) e este poema que surgiu em parte numa aula de semiótica - e quem conhece o professor de semiótica sabe como é difícil surgir algo naquele terreno árido.
Anyway, era apenas para agradecer as visitas; os poucos (mas bons) comentários que foram surgindo; e qualquer coisa mais de que me esteja a esquecer. Isto não está parado: está numas férias de trabalho; ou numa colónia de trabalhos forçados; ou até no esforço de criar uma colónia para tentar fazer com que o meu trabalho cresça.
Assim que tenha algo para dizer, serão os primeiros a saber.
Até já
Gostaria de começar por dizer que a paradela, a haver, é toda minha. Comecei o semestre a meio, Bolonha (essa amarga massa europeia) trouxe como side dish uma carrada de trabalhos para serem realizados para todas as disciplinas e mais algumas, estou desempregado - e, surpreendentemente até, isso não me ajuda em rigorosamente nada.
Não tenho escrito porque não tenho nada para dizer, excepto talvez o regresso do rapaz muco (usado à má fila num trabalho para a cadeira de rádio) e este poema que surgiu em parte numa aula de semiótica - e quem conhece o professor de semiótica sabe como é difícil surgir algo naquele terreno árido.
Anyway, era apenas para agradecer as visitas; os poucos (mas bons) comentários que foram surgindo; e qualquer coisa mais de que me esteja a esquecer. Isto não está parado: está numas férias de trabalho; ou numa colónia de trabalhos forçados; ou até no esforço de criar uma colónia para tentar fazer com que o meu trabalho cresça.
Assim que tenha algo para dizer, serão os primeiros a saber.
Até já
tight jeans
tight jeans
& asses
new body assets
with blank eyes
& false steps in high-heels
insinuating love
in empty hallways
as I'm down & out
& she-lions and jaguars
try to kill me
with uptight noses
smelling young lust from thighs
and the past sex in my hands
angels do not burn
& love is far from me
& why did you leave me now
amongst the freaks of the fair?
building paper world
bureaucrats,
street cats and savage
drug-mad pornstars
- with no one to fuck some life into.
I say it again
angels do not burn
& the world is...
confusion of the senses.
I will say it again and again
untill someone understands
angels do not burn
and come from skin
into skin
& are best understood
when beast surrounds
the selfish ego.
with false steps in high-heels
& blank eyes,
new body assets
in tight jeans
are only seen,
some feel, all forget.
angels burn memory
on to your skin.
& asses
new body assets
with blank eyes
& false steps in high-heels
insinuating love
in empty hallways
as I'm down & out
& she-lions and jaguars
try to kill me
with uptight noses
smelling young lust from thighs
and the past sex in my hands
angels do not burn
& love is far from me
& why did you leave me now
amongst the freaks of the fair?
building paper world
bureaucrats,
street cats and savage
drug-mad pornstars
- with no one to fuck some life into.
I say it again
angels do not burn
& the world is...
confusion of the senses.
I will say it again and again
untill someone understands
angels do not burn
and come from skin
into skin
& are best understood
when beast surrounds
the selfish ego.
with false steps in high-heels
& blank eyes,
new body assets
in tight jeans
are only seen,
some feel, all forget.
angels burn memory
on to your skin.
02 novembro 2007
Rapaz Muco escapa à cilada
Os olhos abrem-se. Perante ele a paisagem de toda uma vida: livros caídos pelo chão, papéis colados pelas paredes de madeira, monitores reluzentes cheios de nada, cursores que piscam ao ritmo do tempo.
Rapaz Muco nem acredita que conseguiu regressar. As responsabilidades do dia tinham terminado. Ele sentia-se cansado com o inútil cansaço do dever cumprido; do insignificante trabalho feito; das miseráveis obrigações impostas e vividas.
As interrogações habituais já não são suficientes. O silêncio e a confusão diária levantam outras perguntas – armas dúplices e perigosas. Onde está o meu espaço? Não suportava o emprego que lhe davam à vida. Há dias que não vejo ninguém. Para onde foram os meus amigos? As vozes já não me chegam através dos imprevistos dias… os meus dias delimitam-se todos dentro do tabuleiro da previsibilidade. Estava só. Perdido entre memórias e ilusões, náufrago.
Os frágeis elos que o uniam aos outros humanos eram devorados pelos insectos que lhe invadiam o sono e ele passava horas frente a uma janela aberta, olhando um mundo que não compreendia ou não aceitava: sempre a mesma imutável face dos prédios; o púrpura do amanhecer; o espírito ansioso.
Continuo acordado – uma imensa pressão na minha cabeça – e a claridade matinal desenha os objectos de irrealidade: uma aura branca que nos permite nomear os objectos sem lhes reconhecer uma forma exacta. O corpo da janela é uma prisão de sombra, uma teia de aranha onde tento capturar a perturbante beleza do dia… como se fosse uma tela e eu um qualquer artista.
É cómico… o único tempo para sonhar que ainda tenho são os dias. Essas pequenas pausas entre ocupações que me atiram para as mãos. As noites, esta insónia clara, despertam-me, não me dão descanso. Há tanto ainda a fazer, a ver… mesmo a pensar. Recuso-me a acreditar que tudo está feito e experimentado.
Pobre rapaz, perdido entre ilusões. A idade avança sobre ele. Com ela chegam acrescidas responsabilidades, um certo modo de vida. E onde se encaixa ele com todas as suas dúvidas e existências frustradas? De lado. Fora do enquadramento. É um daqueles fantasmas que circulam fora da órbita do olhar. Sai da sua caverna, faz o seu papel, regressa ainda mais selvagem do que partiu. O tempo é um adversário temível.
Agora penso afinal que o mundo é um enigma benigno, que a nossa loucura torna terrível porque pretende interpretá-lo de acordo com a nossa própria verdade… e a nossa verdade é uma coisa terrível. A realidade eternamente manietada pelas reduções dos sentidos, pela tacanhez do intelecto…
Tirou os óculos e carregou no enter. A máquina apitou em discordância. Ele carregou novamente no enter. Novo apito dissonante. Alt+Control+Delete, painel de controlo, terminar processo. Encerrar? Claramente que é preciso encerrar! Click – e o computador exala o seu último suspiro.
Rapaz Muco levanta-se. Escapou a esta cilada. E prepara-se para cair em novo engano.
Rapaz Muco nem acredita que conseguiu regressar. As responsabilidades do dia tinham terminado. Ele sentia-se cansado com o inútil cansaço do dever cumprido; do insignificante trabalho feito; das miseráveis obrigações impostas e vividas.
As interrogações habituais já não são suficientes. O silêncio e a confusão diária levantam outras perguntas – armas dúplices e perigosas. Onde está o meu espaço? Não suportava o emprego que lhe davam à vida. Há dias que não vejo ninguém. Para onde foram os meus amigos? As vozes já não me chegam através dos imprevistos dias… os meus dias delimitam-se todos dentro do tabuleiro da previsibilidade. Estava só. Perdido entre memórias e ilusões, náufrago.
Os frágeis elos que o uniam aos outros humanos eram devorados pelos insectos que lhe invadiam o sono e ele passava horas frente a uma janela aberta, olhando um mundo que não compreendia ou não aceitava: sempre a mesma imutável face dos prédios; o púrpura do amanhecer; o espírito ansioso.
Continuo acordado – uma imensa pressão na minha cabeça – e a claridade matinal desenha os objectos de irrealidade: uma aura branca que nos permite nomear os objectos sem lhes reconhecer uma forma exacta. O corpo da janela é uma prisão de sombra, uma teia de aranha onde tento capturar a perturbante beleza do dia… como se fosse uma tela e eu um qualquer artista.
É cómico… o único tempo para sonhar que ainda tenho são os dias. Essas pequenas pausas entre ocupações que me atiram para as mãos. As noites, esta insónia clara, despertam-me, não me dão descanso. Há tanto ainda a fazer, a ver… mesmo a pensar. Recuso-me a acreditar que tudo está feito e experimentado.
Pobre rapaz, perdido entre ilusões. A idade avança sobre ele. Com ela chegam acrescidas responsabilidades, um certo modo de vida. E onde se encaixa ele com todas as suas dúvidas e existências frustradas? De lado. Fora do enquadramento. É um daqueles fantasmas que circulam fora da órbita do olhar. Sai da sua caverna, faz o seu papel, regressa ainda mais selvagem do que partiu. O tempo é um adversário temível.
Agora penso afinal que o mundo é um enigma benigno, que a nossa loucura torna terrível porque pretende interpretá-lo de acordo com a nossa própria verdade… e a nossa verdade é uma coisa terrível. A realidade eternamente manietada pelas reduções dos sentidos, pela tacanhez do intelecto…
Tirou os óculos e carregou no enter. A máquina apitou em discordância. Ele carregou novamente no enter. Novo apito dissonante. Alt+Control+Delete, painel de controlo, terminar processo. Encerrar? Claramente que é preciso encerrar! Click – e o computador exala o seu último suspiro.
Rapaz Muco levanta-se. Escapou a esta cilada. E prepara-se para cair em novo engano.
20 outubro 2007
Poncho Sanchez & Oscar D'Leon - Bésame Mama
Um pouco do calor tropical para o início do Outono...
Peçam água de côco... apreciem o pôr-do-sol...
Digam as palavras mágicas.
19 outubro 2007
Rapaz Muco descobre a vida
Rapaz Muco deu por si atrás de um volante, numa via de aceleração - direcção, PORTO.
Não sabia exactamente o que fazia ali. Olhou em volta, conferiu os espelhos e atacou o IP descongestionado. Preferiu continuar a conduzir a deixar o carro perder o controlo - achou que não valia a pena perder a vida para descobrir porque estava ali.
Algo acabará por surgir... acontece sempre assim nos filmes - e em algumas histórias daquelas que uma pessoa pode ler. É como se a imaginação, essa representação de nós mesmos, tivesse medo de parar.Do horror ao vazio a natureza passa a ter horror à inacção...mas tal como o vazio, será que a inacção existe? ou é o que sobra entre as acções? esses contactos de moléculas, de rodas dentadas a encaixar, de uma continuidade a ser criada, sempre em risco de constante explosão?
Pensava isto e conduzia libertando-se habilmente de carros perseguidores, faixa da esquerda, acelera de cabeça vazia, olhar arguto, mãos dominadoras sobre a máquina. Qual é o próximo passo?
Esperar um telefonema... nem o narrador informaram do rumo desta história? Enfim, são 20h30 de um qualquer domingo, nunca nada acontece aos domingos..., e conduzimos com Rapaz Muco. Muito vago, mas indiciador: para onde é que ele vai? de onde veio? Podemos até acrescentar um porquê, quando e de onde saiu... onde vai chegar? e com quem?
Passa a ponte da Arrábida. As mangas indicam vento lateral, vindo do mar, pouco forte. Amanhã vai estar bom tempo, um pouco frio de manhã. Olhar de novo em frente, escolher um destino ou deixar rolar? Está distraído, ausente seria mais correcto. Olha em volta como se não fosse daquela estrada que está farto de percorrer; como se procurasse atalhos para chegar aonde não sabe que vai.
O rádio limita-se à sua tarefa de preencher os silêncios. Ele nem o ouve claramente de tão absorvido que está. Não posso continuar a andar aqui às voltas. Tenho de me lembrar para onde queria ir... e de como lá chegar já agora. Travagem súbita, carro a cruzar duas faixas de rodagem, buzinadelas várias, sinais de luzes persistentes... É com cada freak! Este pessoal ainda me mata.
Só lhe resta continuar. Entre rios, pontes e overdrives impressionantes estruturas de lama se erguem; luzes medindo a métrica à poesia do caminho. E nem o telefonema acontece. Só é ele e a noite de alcatrão. Ele ataca este dragão pisando mais um pouco o acelerador. O motor geme, cansado, e corresponde lentamente.
Rapaz Muco está encurralado. Apareceu aqui, procura a vida e apenas tem uma estrada negra e circular. Ele passa pelas saídas, soletra os nomes à procura do seu destino e rapidamente os ignora. Assim, nunca vai encontrar nada.
Atenção aos radares. O pé levanta-se automaticamente. Não se pode arriscar a afundar o seu frágil orçamento com a possibilidade de uma multa. Será que devia sair e ir ao hospital? Esta situação não me parece normal. Então dou por mim dentro de um carro, sem passado e com um futuro incerto... tenho em mim a impressão de ter memórias, de ter tido uma pessoa a crescer em mim... mas para onde foi ela? Sinto-me como se tivesse acordado e esquecido o sonho que me acordou.
Os hospitais sempre o aterrorizaram... médicos de afiados caninos e mãos enfeitadas de garras fazem parte do seu pesadelo genético. Um pouco mais e começa a descer em direcção ao Freixo. Vai aparecer um estádio, um shopping, vários apartamentos e escritórios para o exército dos favorecidos. A lei marcial do consumo e da concentração - da oferta e das pessoas.
Outro radar... Nada disto me interessa. Que situação estúpida. Ando aqui às voltas, não acontece nada, nem a merda do telefone toca. Ainda para mais parece que os maluquinhos vieram todos para a estrada. Para que é que saí de casa?
Em breve vai meter ponto-morto e deixar-se levar... acho que vou meter isto em ponto morto e deixar-me ir na descida... a ver se poupo um bocado de gasolina. como dizia, deixar-se levar até à entrada da ponte. Há um sinal que já lhe despertou a atenção: GAIA CENTRO.
Algo dentro dele diz-lhe que é por ali. Que por ali se regressa a casa. Que por ali o sonho termina e ele pode, finalmente, acordar .
Não sabia exactamente o que fazia ali. Olhou em volta, conferiu os espelhos e atacou o IP descongestionado. Preferiu continuar a conduzir a deixar o carro perder o controlo - achou que não valia a pena perder a vida para descobrir porque estava ali.
Algo acabará por surgir... acontece sempre assim nos filmes - e em algumas histórias daquelas que uma pessoa pode ler. É como se a imaginação, essa representação de nós mesmos, tivesse medo de parar.Do horror ao vazio a natureza passa a ter horror à inacção...mas tal como o vazio, será que a inacção existe? ou é o que sobra entre as acções? esses contactos de moléculas, de rodas dentadas a encaixar, de uma continuidade a ser criada, sempre em risco de constante explosão?
Pensava isto e conduzia libertando-se habilmente de carros perseguidores, faixa da esquerda, acelera de cabeça vazia, olhar arguto, mãos dominadoras sobre a máquina. Qual é o próximo passo?
Esperar um telefonema... nem o narrador informaram do rumo desta história? Enfim, são 20h30 de um qualquer domingo, nunca nada acontece aos domingos..., e conduzimos com Rapaz Muco. Muito vago, mas indiciador: para onde é que ele vai? de onde veio? Podemos até acrescentar um porquê, quando e de onde saiu... onde vai chegar? e com quem?
Passa a ponte da Arrábida. As mangas indicam vento lateral, vindo do mar, pouco forte. Amanhã vai estar bom tempo, um pouco frio de manhã. Olhar de novo em frente, escolher um destino ou deixar rolar? Está distraído, ausente seria mais correcto. Olha em volta como se não fosse daquela estrada que está farto de percorrer; como se procurasse atalhos para chegar aonde não sabe que vai.
O rádio limita-se à sua tarefa de preencher os silêncios. Ele nem o ouve claramente de tão absorvido que está. Não posso continuar a andar aqui às voltas. Tenho de me lembrar para onde queria ir... e de como lá chegar já agora. Travagem súbita, carro a cruzar duas faixas de rodagem, buzinadelas várias, sinais de luzes persistentes... É com cada freak! Este pessoal ainda me mata.
Só lhe resta continuar. Entre rios, pontes e overdrives impressionantes estruturas de lama se erguem; luzes medindo a métrica à poesia do caminho. E nem o telefonema acontece. Só é ele e a noite de alcatrão. Ele ataca este dragão pisando mais um pouco o acelerador. O motor geme, cansado, e corresponde lentamente.
Rapaz Muco está encurralado. Apareceu aqui, procura a vida e apenas tem uma estrada negra e circular. Ele passa pelas saídas, soletra os nomes à procura do seu destino e rapidamente os ignora. Assim, nunca vai encontrar nada.
Atenção aos radares. O pé levanta-se automaticamente. Não se pode arriscar a afundar o seu frágil orçamento com a possibilidade de uma multa. Será que devia sair e ir ao hospital? Esta situação não me parece normal. Então dou por mim dentro de um carro, sem passado e com um futuro incerto... tenho em mim a impressão de ter memórias, de ter tido uma pessoa a crescer em mim... mas para onde foi ela? Sinto-me como se tivesse acordado e esquecido o sonho que me acordou.
Os hospitais sempre o aterrorizaram... médicos de afiados caninos e mãos enfeitadas de garras fazem parte do seu pesadelo genético. Um pouco mais e começa a descer em direcção ao Freixo. Vai aparecer um estádio, um shopping, vários apartamentos e escritórios para o exército dos favorecidos. A lei marcial do consumo e da concentração - da oferta e das pessoas.
Outro radar... Nada disto me interessa. Que situação estúpida. Ando aqui às voltas, não acontece nada, nem a merda do telefone toca. Ainda para mais parece que os maluquinhos vieram todos para a estrada. Para que é que saí de casa?
Em breve vai meter ponto-morto e deixar-se levar... acho que vou meter isto em ponto morto e deixar-me ir na descida... a ver se poupo um bocado de gasolina. como dizia, deixar-se levar até à entrada da ponte. Há um sinal que já lhe despertou a atenção: GAIA CENTRO.
Algo dentro dele diz-lhe que é por ali. Que por ali se regressa a casa. Que por ali o sonho termina e ele pode, finalmente, acordar .
09 outubro 2007
The Death of Charlie "Bird" Parker
Surrealisticamente estranha é a história da morte deste senhor. Músico brilhante, segundo uns pai do "bop", segundo outros mais uma criatura triste e solitária dona de um génio musical que o impelia a dar a voz que não tinha a um objecto inanimado chamado saxofone. Foi morto pelo seu sentido de humor... e por anos de vida.
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