31 janeiro 2008

Ruído



Muchachito Bombo Infierno

Ruido


De la mañana a la noche
De tu cuerpo al mio
De tu voz a mi entender
De tu voz a mi deseo
Y mi deseo hasta comerte los seos, ufff
Los deditos de los pies
Hoy creer es mas difícil que ayer, si, y ayer soñé
Lo llevo escrito en el papel, Singuerlin 23, busco, no sé
Y si es tan amable, por favor, ¿me indica usted?
Ay, escaleras de por medio
Me es igual, me puede el nervio
Mis ganas de ti hacen que ponga remedio
Ante cualquier obstáculo, barrera o jodienda
Y al llegar, hagamos ruido en el lugar
Donde aun es posible creer
En un mundo libre y natural
No cruel, sin dejar de amar

Haciendo ruido
A más de 3 de la mañana
Haciendo ruido
Y nos molesto la guardia urbana

Y entre tanto ruido, tanto ruido, tanto ruido
Se me escapo un Te quiero
Tú te pusiste roja
A pensao de que no te lo decía de nuevo

Hagamos ruido tú y yo
Hagamos ruido tú y yo
Hagamos ruido tú y yo
Hagamos ruido tú y yo

Como nadie te ha querido te quiero yo
Como nadie te ha querido te quiero yo
Y tú estas tan guapa
Y yo estoy más feo
Y me doy cuenta ahora mismo yo
Yo cuando miro y nos veo

Algo en mí que se encana
Porque son las 4 de la mañana
Tu cuerpo me llama
Yo te hecho este cante hermana
Dame ese baile
Sabana caliente de seda,
Es lo que queda
Lo más probable, Manuela
Que te llame agritos en sueños
Con ruido en los oídos
Despertare, tratare de buscarte
Otra noche, pues con tanto ruido
Te olvidaste las llaves del coche
Que por cierto, tanto nos rugía
Algarabía de verano
De cañitas y pinchitos de tortilla
Tú de pie, yo en la silla
Rodeaos de peña,
Cada uno con su morao
Aislao quedara el impulso, pero no la mirada
Esclava del ruido, asustá del silencio,
Que guarda un beso
Tieso, mudo, y en la garganta el nudo
Que susurra el te quiero
Menos ruidoso pero más sincero
Hagamos ruido
Y si hace falta que nos lleven presos

Hagamos ruido tú y yo
Hagamos ruido
Hagamos ruido tú y yo

De la mañana a la noche
De tu cuerpo al mió
De tu voz a mi entender

Y tú estas mas guapa
Y yo estoy más feo
Mi vida contigo parece un tebeo
De esos que al final.

01 janeiro 2008

mantra do desespero

"Mais vale pouco do que nada."

o que é essa coisa chamada amor?

peso enorme no peito
cérebro paralisado
beijos frios entre cadáveres
loucura ambulatória
engano e mentira
manhãs pristinas
pesadelo sónico
oceânico corpo
desilusão e desilusão
         acumuladas
constante ausência
o telefone interrompido
todas as palavras por dizer
a certeza da posse ao acordar
fodas sórdidas em carros
amor feito em quartos mil vezes usados
         mil vezes esquecidos
o mundo entre cada palavra

          vácuo

o sexo frio na mão quente
carros rolando em silêncio
opostas trajectórias em queda
         o brilho no olhar
as palavras rápidas
         a harmonia

o vácuo entre cada palavra

         o calor do corpo
mãos febris que se procuram
corpo encerrado em prisão plástica
          impossível união
canibalismo da vontade
costas mordidas e mente arranhada
          (a alma morta)
entre gemidos um contacto fugaz
um grão de pele que se reconhece
a ilusão benigna
          o anel
o grão de pele perdida

o tempo que nunca foi

nosso

13 dezembro 2007

se de todos os dias tivesse de escolher um
escolheria sempre o primeiro
o que vivo e revivo todos os dias
contra os escolhos embato
sem nunca dar parte de fraco
e o embaraço notório ou ilusório
é apenas parte de mais um dia
          mais uma hora
          mais um lugar
onde não queria estar
com o abraço do cansaço sobre o ombro
          solitário
sempre solidário em papel atestado e averbado
e agora divago mas rapidamente assumo o controlo

escolheria sempre o primeiro dia
sem preocupações em ser compreendido ou compreender
porque nem sempre na ânsia de viver há tempo para pensar
          na noite sem sonhos
          no silêncio diário
a bordo da nave do desencontro

sem livro de bordo a bordo da nave do desencontro

o primeiro dia revivido vezes e vezes sem conta
o primeiro dia revivido vezes e vezes sem conta
o primeiro dia revivido vezes e vezes sem conta
o primeiro dia revivido vezes e vezes sem conta

até ser um brinquedo partido
         uma memória gasta
uma fotografia rompida pelos dedos
um incendiado porto de abrigo
que perdura seguro na memória fraca

escolheria sempre o primeiro dia de sol
escolheria sempre o primeiro dia de chuva
escolheria sempre o primeiro dia do primeiro toque
que surgiu depois do primeiro olhar
que surgiu depois do primeiro sorriso
que surgiu no primeiro dia
depois da primeira palavra debaixo do sol
que a chuva apagou no segundo dia

escolheria sempre o primeiro dia
da primeira palavra no primeiro som

escolheria sempre o primeiro dia do meu mundo
que não conhecia as flores do silêncio

escolheria todos os dias
         o primeiro dia
do meu primeiro dia

19 novembro 2007

boas pessoal

Muito boa noite aos milhares e milhares e até diria algumas dezenas de pessoas que vão passando por este belo blog que já está parado há algum tempo. De repente dei por mim preocupado com o que as pessoas poderiam pensar e decidi informar sobre as razões que levaram à paradela em que isto se encontra.

Gostaria de começar por dizer que a paradela, a haver, é toda minha. Comecei o semestre a meio, Bolonha (essa amarga massa europeia) trouxe como side dish uma carrada de trabalhos para serem realizados para todas as disciplinas e mais algumas, estou desempregado - e, surpreendentemente até, isso não me ajuda em rigorosamente nada.

Não tenho escrito porque não tenho nada para dizer, excepto talvez o regresso do rapaz muco (usado à má fila num trabalho para a cadeira de rádio) e este poema que surgiu em parte numa aula de semiótica - e quem conhece o professor de semiótica sabe como é difícil surgir algo naquele terreno árido.

Anyway, era apenas para agradecer as visitas; os poucos (mas bons) comentários que foram surgindo; e qualquer coisa mais de que me esteja a esquecer. Isto não está parado: está numas férias de trabalho; ou numa colónia de trabalhos forçados; ou até no esforço de criar uma colónia para tentar fazer com que o meu trabalho cresça.
Assim que tenha algo para dizer, serão os primeiros a saber.

Até já

tight jeans

tight jeans
& asses
new body assets
with blank eyes
& false steps in high-heels

insinuating love
in empty hallways

as I'm down & out
& she-lions and jaguars
try to kill me
with uptight noses
smelling young lust from thighs
and the past sex in my hands

angels do not burn
& love is far from me

& why did you leave me now
amongst the freaks of the fair?

building paper world
bureaucrats,
street cats and savage
drug-mad pornstars
- with no one to fuck some life into.

I say it again

angels do not burn
& the world is...
confusion of the senses.

I will say it again and again
untill someone understands

angels do not burn
and come from skin
into skin
& are best understood
when beast surrounds
the selfish ego.

with false steps in high-heels
& blank eyes,
new body assets
in tight jeans
are only seen,
some feel, all forget.

angels burn memory
on to your skin.

02 novembro 2007

Rapaz Muco escapa à cilada

Os olhos abrem-se. Perante ele a paisagem de toda uma vida: livros caídos pelo chão, papéis colados pelas paredes de madeira, monitores reluzentes cheios de nada, cursores que piscam ao ritmo do tempo.

Rapaz Muco nem acredita que conseguiu regressar. As responsabilidades do dia tinham terminado. Ele sentia-se cansado com o inútil cansaço do dever cumprido; do insignificante trabalho feito; das miseráveis obrigações impostas e vividas.

As interrogações habituais já não são suficientes. O silêncio e a confusão diária levantam outras perguntas – armas dúplices e perigosas. Onde está o meu espaço? Não suportava o emprego que lhe davam à vida. Há dias que não vejo ninguém. Para onde foram os meus amigos? As vozes já não me chegam através dos imprevistos dias… os meus dias delimitam-se todos dentro do tabuleiro da previsibilidade. Estava só. Perdido entre memórias e ilusões, náufrago.

Os frágeis elos que o uniam aos outros humanos eram devorados pelos insectos que lhe invadiam o sono e ele passava horas frente a uma janela aberta, olhando um mundo que não compreendia ou não aceitava: sempre a mesma imutável face dos prédios; o púrpura do amanhecer; o espírito ansioso.

Continuo acordado – uma imensa pressão na minha cabeça – e a claridade matinal desenha os objectos de irrealidade: uma aura branca que nos permite nomear os objectos sem lhes reconhecer uma forma exacta. O corpo da janela é uma prisão de sombra, uma teia de aranha onde tento capturar a perturbante beleza do dia… como se fosse uma tela e eu um qualquer artista.

É cómico… o único tempo para sonhar que ainda tenho são os dias. Essas pequenas pausas entre ocupações que me atiram para as mãos. As noites, esta insónia clara, despertam-me, não me dão descanso. Há tanto ainda a fazer, a ver… mesmo a pensar. Recuso-me a acreditar que tudo está feito e experimentado.

Pobre rapaz, perdido entre ilusões. A idade avança sobre ele. Com ela chegam acrescidas responsabilidades, um certo modo de vida. E onde se encaixa ele com todas as suas dúvidas e existências frustradas? De lado. Fora do enquadramento. É um daqueles fantasmas que circulam fora da órbita do olhar. Sai da sua caverna, faz o seu papel, regressa ainda mais selvagem do que partiu. O tempo é um adversário temível.

Agora penso afinal que o mundo é um enigma benigno, que a nossa loucura torna terrível porque pretende interpretá-lo de acordo com a nossa própria verdadee a nossa verdade é uma coisa terrível. A realidade eternamente manietada pelas reduções dos sentidos, pela tacanhez do intelecto…

Tirou os óculos e carregou no enter. A máquina apitou em discordância. Ele carregou novamente no enter. Novo apito dissonante. Alt+Control+Delete, painel de controlo, terminar processo. Encerrar? Claramente que é preciso encerrar! Click – e o computador exala o seu último suspiro.

Rapaz Muco levanta-se. Escapou a esta cilada. E prepara-se para cair em novo engano.