Space Oddity, David Bowie
12 abril 2008
03 abril 2008
30 de novembro de 1935
Onde estou? Onde está a natureza que alimentou a minha infância? Ergo os olhos de um mar de branco, um paúl de gemidos brancos (…) sinto os mecanismos do meu corpo, a sua complicada relojoaria a falhar. Nos astros a suprema verdade da geografia que tracei… Ou não? É hoje o dia? Agora a hora?
Minha pobre Ofélia afogada no rio da minha multiplicação em Homem e Poeta. Um mero fingidor, sem dor nem remorso nem arrependimento. Passei ao lado do sentido; tudo senti sem nada conseguir alcançar. Uma ficção de um interlúdio que agora se torna mais claro. Uno finalmente! Sinto o peso de muitas vidas a sair-me da alma, fico mais leve. Flutuo por entre um rio que sou eu mesmo e o Outro. Anos a viver anónimo entre todos, multiplamente incompleto. Íbis, uma ave esquisita a contemplar os mistérios do Nilo.
Estive perto do Mestre na Boca do Inferno. Toquei-lhe a mão aquosa antes de ele desaparecer nas sombras. Iô Pã! Iô Pã! Iô Pã! Vem com a tua bacante cálida e loira! Iô Pã! Iô Pã! Iô Pã! E os mistérios da tua cerimónia! Iô Pã! Iô Pã! Iô Pã! E o mistério do espírito arguto.
Agora estou aqui, não mais o estrangeiro, mas encoberto ainda na memória que já se desvanece no meu silêncio. Eis que regressam das sombras: os meus amigos; eu mesmo nos Outros sem mim. Rodeiam-me a cama. Não estou só como nunca estive (…) Já não me vejo (…)
- “Dá-me os óculos!”
Minha pobre Ofélia afogada no rio da minha multiplicação em Homem e Poeta. Um mero fingidor, sem dor nem remorso nem arrependimento. Passei ao lado do sentido; tudo senti sem nada conseguir alcançar. Uma ficção de um interlúdio que agora se torna mais claro. Uno finalmente! Sinto o peso de muitas vidas a sair-me da alma, fico mais leve. Flutuo por entre um rio que sou eu mesmo e o Outro. Anos a viver anónimo entre todos, multiplamente incompleto. Íbis, uma ave esquisita a contemplar os mistérios do Nilo.
Estive perto do Mestre na Boca do Inferno. Toquei-lhe a mão aquosa antes de ele desaparecer nas sombras. Iô Pã! Iô Pã! Iô Pã! Vem com a tua bacante cálida e loira! Iô Pã! Iô Pã! Iô Pã! E os mistérios da tua cerimónia! Iô Pã! Iô Pã! Iô Pã! E o mistério do espírito arguto.
Agora estou aqui, não mais o estrangeiro, mas encoberto ainda na memória que já se desvanece no meu silêncio. Eis que regressam das sombras: os meus amigos; eu mesmo nos Outros sem mim. Rodeiam-me a cama. Não estou só como nunca estive (…) Já não me vejo (…)
- “Dá-me os óculos!”
26 março 2008
corpo em movimento
as tuas mãos
pequenas sobre as minhas
o olhar
a fulcral atenção
a boca
livre e rubra
o peito
na luz oblíqua
a distância final
a tragédia anatómica.
pequenas sobre as minhas
o olhar
a fulcral atenção
a boca
livre e rubra
o peito
na luz oblíqua
a distância final
a tragédia anatómica.
13 março 2008
palavras para Hunter S. Thompson (Falecido)
Sei que estarias desiludido
(como eu estou)
com o rumo que estes filhos da puta
deram às coisas.
A onda libertária que cavalgaste
recuou e levou parte da água com ela.
Hoje é na lama que chafurdamos
-na repetição de modelos ultrapassados
com medo que o público não goste,
não conheça, não apoie;
-acreditando cegamente
em acessores e doutores-marciais na arte da cortina
de fumo, no silêncio que fala mais que mil palavras,
-sem olhar nem reparar nem ver,
uma profissão, um ordenado ao fim do mês...
sonhos de uma vida simples a "produzir conteúdos".
Quem te rodeava acreditava assim tão... pouco?
O jornalismo está nas mãos de autistas,
meninos de universidade de voz fina
ainda sem barba não aguentam o alcóol
e o teor de realidade ultrapassa
todas as suas expectativas
Para onde vai isto?
Más vibrações, academismo vão,
Medo e nojo neste 6º Reich em construção
do outro lado do deserto oceano:
delírios pan-europeus e centralismo,
a mão do estado que descansa no teu ombro.
Esses yuppies ressacas prendem-nos às camas
em delírios de cabedais - grilhetas na mente,
corpo apertado entre paredes erguidas
e escavadas fronteiras.
E, enquanto me sento aqui como um inútil,
uma realidade maior existe fora de mim
impalpável
Verias com maus-olhos estes... versos?
Que te importaria ver-te aqui re-escrito
ou re-assassinado nas minhas palavras?
-seria melhor se te importasses?
Vês estas pessoas nos meus significantes?
Nestas palavras alinhadas como soldados
reticentes que envio para a morte
- como o teu tiranete democrático
envia conterrâneos (des)humanizados
para se perderem no deserto
e ele beber no sangue negro na areia.
De deserto em deserto vamos existindo
alheios ao vácuo da existência
(e lê-se a Maria e passam-se bilhetinhos e há sorrisos e risinhos e facas nas costas)
(e a inocência e o rubor falam mais alto sempre que se pronuncia a palavra "sexo", "flatulência", "prostituição", "fome", "pedofilia", "tortura", "violência", "violação", "aborto", "racismo", "preconceitos", " construção do indivíduo"... mas há mais...)
Que gente triste meu silencioso amigo desesperado!
E mais triste eu por aqui estar,
olho-crítico a tudo o que me rodeia,
a ponta de liberdade da janela uma condição impossível,
a mente fervilhante de questões
que só o instinto pode responder
- a consciência da minha animalidade.
Terás sido assassinado pela selvajaria da tua voz?
Mártir não-religioso da liberdade de imprensa,
da questionação e curiosidade natural ao ser-se Homem
-questiona tudo e todos;
-confirma as fontes;
-não tenhas medo de falar alto se falares a verdade dos factos;
-tem consciência que tudo é subjectivo, até os factos;
Ou foi o tédio? a idade? o desgaste a erodir-te dia após dia
e tu preparavas-te para a viagem
"Ride the snake, to the lake, the ancient lake"
a mão benigna desce sobre os olhos, súbita.
Nas pessoas podemos escutar a sua magnífica surdez.
Para onde foram os Homens? E as Mulheres?
Onde se escondem as Mulheres durante dias a fio?
Para onde foi a sua juventude,
a sua aura prístina,
as manhãs passadas a sentir o sol a subir pelo corpo,
relógios de carne, relógios solares, perfeitos maquinismos...
Para onde foste tu?
Em que ondas da mente andas montado?
Bêbedo e drogado
sincero Homem imperfeito e real
analisa a sua análise
e pensa e vê ou julga ver
Maya, a ilusão, a selva de lianas dos sentidos.
Em que cavalo apostaste tu na última corrida?
Selah irmão!
Demasiados demónios nos morderam as mãos,
mas permaneceremos,
escultores dos factos,
analistas do credível,
homens selvagens nesta idade moderna de maricas.
Cai a mão, cai a arma, cai o silêncio.
(como eu estou)
com o rumo que estes filhos da puta
deram às coisas.
A onda libertária que cavalgaste
recuou e levou parte da água com ela.
Hoje é na lama que chafurdamos
-na repetição de modelos ultrapassados
com medo que o público não goste,
não conheça, não apoie;
-acreditando cegamente
em acessores e doutores-marciais na arte da cortina
de fumo, no silêncio que fala mais que mil palavras,
-sem olhar nem reparar nem ver,
uma profissão, um ordenado ao fim do mês...
sonhos de uma vida simples a "produzir conteúdos".
Quem te rodeava acreditava assim tão... pouco?
O jornalismo está nas mãos de autistas,
meninos de universidade de voz fina
ainda sem barba não aguentam o alcóol
e o teor de realidade ultrapassa
todas as suas expectativas
Para onde vai isto?
Más vibrações, academismo vão,
Medo e nojo neste 6º Reich em construção
do outro lado do deserto oceano:
delírios pan-europeus e centralismo,
a mão do estado que descansa no teu ombro.
Esses yuppies ressacas prendem-nos às camas
em delírios de cabedais - grilhetas na mente,
corpo apertado entre paredes erguidas
e escavadas fronteiras.
E, enquanto me sento aqui como um inútil,
uma realidade maior existe fora de mim
impalpável
Verias com maus-olhos estes... versos?
Que te importaria ver-te aqui re-escrito
ou re-assassinado nas minhas palavras?
-seria melhor se te importasses?
Vês estas pessoas nos meus significantes?
Nestas palavras alinhadas como soldados
reticentes que envio para a morte
- como o teu tiranete democrático
envia conterrâneos (des)humanizados
para se perderem no deserto
e ele beber no sangue negro na areia.
De deserto em deserto vamos existindo
alheios ao vácuo da existência
(e lê-se a Maria e passam-se bilhetinhos e há sorrisos e risinhos e facas nas costas)
(e a inocência e o rubor falam mais alto sempre que se pronuncia a palavra "sexo", "flatulência", "prostituição", "fome", "pedofilia", "tortura", "violência", "violação", "aborto", "racismo", "preconceitos", " construção do indivíduo"... mas há mais...)
Que gente triste meu silencioso amigo desesperado!
E mais triste eu por aqui estar,
olho-crítico a tudo o que me rodeia,
a ponta de liberdade da janela uma condição impossível,
a mente fervilhante de questões
que só o instinto pode responder
- a consciência da minha animalidade.
Terás sido assassinado pela selvajaria da tua voz?
Mártir não-religioso da liberdade de imprensa,
da questionação e curiosidade natural ao ser-se Homem
-questiona tudo e todos;
-confirma as fontes;
-não tenhas medo de falar alto se falares a verdade dos factos;
-tem consciência que tudo é subjectivo, até os factos;
Ou foi o tédio? a idade? o desgaste a erodir-te dia após dia
e tu preparavas-te para a viagem
"Ride the snake, to the lake, the ancient lake"
a mão benigna desce sobre os olhos, súbita.
Nas pessoas podemos escutar a sua magnífica surdez.
Para onde foram os Homens? E as Mulheres?
Onde se escondem as Mulheres durante dias a fio?
Para onde foi a sua juventude,
a sua aura prístina,
as manhãs passadas a sentir o sol a subir pelo corpo,
relógios de carne, relógios solares, perfeitos maquinismos...
Para onde foste tu?
Em que ondas da mente andas montado?
Bêbedo e drogado
sincero Homem imperfeito e real
analisa a sua análise
e pensa e vê ou julga ver
Maya, a ilusão, a selva de lianas dos sentidos.
Em que cavalo apostaste tu na última corrida?
Selah irmão!
Demasiados demónios nos morderam as mãos,
mas permaneceremos,
escultores dos factos,
analistas do credível,
homens selvagens nesta idade moderna de maricas.
Cai a mão, cai a arma, cai o silêncio.
31 janeiro 2008
Ruído
Muchachito Bombo Infierno
Ruido
De la mañana a la noche
De tu cuerpo al mio
De tu voz a mi entender
De tu voz a mi deseo
Y mi deseo hasta comerte los seos, ufff
Los deditos de los pies
Hoy creer es mas difícil que ayer, si, y ayer soñé
Lo llevo escrito en el papel, Singuerlin 23, busco, no sé
Y si es tan amable, por favor, ¿me indica usted?
Ay, escaleras de por medio
Me es igual, me puede el nervio
Mis ganas de ti hacen que ponga remedio
Ante cualquier obstáculo, barrera o jodienda
Y al llegar, hagamos ruido en el lugar
Donde aun es posible creer
En un mundo libre y natural
No cruel, sin dejar de amar
Haciendo ruido
A más de 3 de la mañana
Haciendo ruido
Y nos molesto la guardia urbana
Y entre tanto ruido, tanto ruido, tanto ruido
Se me escapo un Te quiero
Tú te pusiste roja
A pensao de que no te lo decía de nuevo
Hagamos ruido tú y yo
Hagamos ruido tú y yo
Hagamos ruido tú y yo
Hagamos ruido tú y yo
Como nadie te ha querido te quiero yo
Como nadie te ha querido te quiero yo
Y tú estas tan guapa
Y yo estoy más feo
Y me doy cuenta ahora mismo yo
Yo cuando miro y nos veo
Algo en mí que se encana
Porque son las 4 de la mañana
Tu cuerpo me llama
Yo te hecho este cante hermana
Dame ese baile
Sabana caliente de seda,
Es lo que queda
Lo más probable, Manuela
Que te llame agritos en sueños
Con ruido en los oídos
Despertare, tratare de buscarte
Otra noche, pues con tanto ruido
Te olvidaste las llaves del coche
Que por cierto, tanto nos rugía
Algarabía de verano
De cañitas y pinchitos de tortilla
Tú de pie, yo en la silla
Rodeaos de peña,
Cada uno con su morao
Aislao quedara el impulso, pero no la mirada
Esclava del ruido, asustá del silencio,
Que guarda un beso
Tieso, mudo, y en la garganta el nudo
Que susurra el te quiero
Menos ruidoso pero más sincero
Hagamos ruido
Y si hace falta que nos lleven presos
Hagamos ruido tú y yo
Hagamos ruido
Hagamos ruido tú y yo
De la mañana a la noche
De tu cuerpo al mió
De tu voz a mi entender
Y tú estas mas guapa
Y yo estoy más feo
Mi vida contigo parece un tebeo
De esos que al final.
01 janeiro 2008
o que é essa coisa chamada amor?
peso enorme no peito
cérebro paralisado
beijos frios entre cadáveres
loucura ambulatória
engano e mentira
manhãs pristinas
pesadelo sónico
oceânico corpo
desilusão e desilusão
acumuladas
constante ausência
o telefone interrompido
todas as palavras por dizer
a certeza da posse ao acordar
fodas sórdidas em carros
amor feito em quartos mil vezes usados
mil vezes esquecidos
o mundo entre cada palavra
vácuo
o sexo frio na mão quente
carros rolando em silêncio
opostas trajectórias em queda
o brilho no olhar
as palavras rápidas
a harmonia
o vácuo entre cada palavra
o calor do corpo
mãos febris que se procuram
corpo encerrado em prisão plástica
impossível união
canibalismo da vontade
costas mordidas e mente arranhada
(a alma morta)
entre gemidos um contacto fugaz
um grão de pele que se reconhece
a ilusão benigna
o anel
o grão de pele perdida
cérebro paralisado
beijos frios entre cadáveres
loucura ambulatória
engano e mentira
manhãs pristinas
pesadelo sónico
oceânico corpo
desilusão e desilusão
acumuladas
constante ausência
o telefone interrompido
todas as palavras por dizer
a certeza da posse ao acordar
fodas sórdidas em carros
amor feito em quartos mil vezes usados
mil vezes esquecidos
o mundo entre cada palavra
vácuo
o sexo frio na mão quente
carros rolando em silêncio
opostas trajectórias em queda
o brilho no olhar
as palavras rápidas
a harmonia
o vácuo entre cada palavra
o calor do corpo
mãos febris que se procuram
corpo encerrado em prisão plástica
impossível união
canibalismo da vontade
costas mordidas e mente arranhada
(a alma morta)
entre gemidos um contacto fugaz
um grão de pele que se reconhece
a ilusão benigna
o anel
o grão de pele perdida
o tempo que nunca foi
nosso
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