Esquece o melhor que puderes.
Há drogas e cinema (por
enquanto). Não vais ser tu a aprisionar
os gestos felizes ou sem rumo
de que ainda sou capaz.
Não é nada pessoal, garanto-te.
Bebi sempre demais, acordo
tarde e as crianças estão longe de ser
o meu animal doméstico preferido.
Detesto horários, famílias e obrigações.
Até a partilha dos lençóis,
quando não é o amor a rasgá-los.
Os dias, porém, depressa
nos obrigam ao esterco das rotinas,
ao desejo inútil de procurar
a morte noutros braços
Mas não. Não vou mudar de marca
de cigarros nem de pasta
dentífrica. Acordo logo que puder,
já sabes. Telefono-te rouco,
eventualmente triste, a precisar
de alguma liberdade para poder provar,
sozinho, que a liberdade não existe
mas dá bastante jeito.
E no entanto, depois disto tudo,
é altamente provável que eu te queira
amar. Como não sei melhor, como sei.
Manuel de Freitas
26 agosto 2008
Guimarães
apenas 2 dias
poucas horas
suficientes minutos
guimarães
chegado à 23H30
amigos em casa a beber
pressa de viver
sair rápido para o calor
das casas
beber ainda mais rápido
entre elas
rodeado de estranhos
analisando todos os gestos
jovens
ou nem por isso
mas sim, jovens de espírito
idosos nas acções
tentam afugentar o tempo
matamos o corpo
numa higiene rápida
o absinto limpa as impurezas da alma
que já perdemos
essa noção fora de moda
esse peso inútil na modernidade
gritos
bebidas
fumos
a noite galopa sobre os nossos cérebros
as horas moem os corpos
depois de amanhã
temos de voltar
24/3/08
poucas horas
suficientes minutos
guimarães
chegado à 23H30
amigos em casa a beber
pressa de viver
sair rápido para o calor
das casas
beber ainda mais rápido
entre elas
rodeado de estranhos
analisando todos os gestos
jovens
ou nem por isso
mas sim, jovens de espírito
idosos nas acções
tentam afugentar o tempo
matamos o corpo
numa higiene rápida
o absinto limpa as impurezas da alma
que já perdemos
essa noção fora de moda
esse peso inútil na modernidade
gritos
bebidas
fumos
a noite galopa sobre os nossos cérebros
as horas moem os corpos
depois de amanhã
temos de voltar
24/3/08
como viver
quem sou
o que sou
na ponta incandescente
que me acalma absorto
e faz regressar
onde estou e não queria estar
num desconfortável conforto
o que sou
na ponta incandescente
que me acalma absorto
e faz regressar
onde estou e não queria estar
num desconfortável conforto
24 agosto 2008
Vem
Vem
toca-me agora
e torna real o momento
em que a carne desperta a mente
e se acendem as luzes do dia
-apesar de a luz já ter existido e inundado o olhar
vamos
atravessemos a porta que eu evito
no cansaço que afugento
quando o perigo são as palavras
insuficientes para definir o silêncio desta noite
ou o incómodo zumbido das luzes
ou a mão que procura o vazio
e quase lhe toca
binómios depressivos é o que somos
prazeres diluídos
ainda antes de tocar os lábios
que sabem a carne
... nada mais
o sangue e a pele quente
que sabe a ferro
a frieza do aço envolvente
latrinas fétidas onde o tempo parece parado
e nós vivemos
para chegar a casa sem nada
para dizer MERDA
como num poema sem sentido
feito de avanços e recuos
da frágil consciência
esquizofrénico espreito para fora de mim
sinto as coisas como um novo estranho
o perfume guardado na cama feita
as passagens que subsistem dos corpos cruzados
o enigma
vem
deixa-me ver-te real
aqui e agora
explode para fora de ti
contra o tempo que falta
contra o reconhecimento fácil da carne
contra a fragmentação pontilhista da criação
vem beijar a boca do mundo
possuir a carne e as suas vibrações
possuir a palavra alma e as palavras que a formam
e ser plena e possuída e não fazer sentido como a beleza do mundo
tenho sonos divinatórios que esqueço
quando acordo sem beijo para saudar o dia
e na noção de corpo as memórias de outros dias
e noites quentes
num ano de verão permanente
todas as minhas fantasias vão envelhecer e engordar
menos tu
fogueira do meu sexo
luz do meu intelecto
humana razão que perco
quando ando às voltas e mordo a minha cauda reptiliana
em uivos de dor
de prazer adiado e esquecido
quando
a minha carne está morna para a frieza da tua alma
contida nas relativas leis dos homens e do mundo
contida
na regência do afastamento dos corpos celeste e carnais
precisamos de fogo para as mãos
tira a chama que arde no peito
limpa a lama dos meus olhos
quando é que a última palavra terminará o poema?
quando nos salvaremos?
felino e ágil movo-me por entre o desejo
completamente incompleto nas incertezas
de animal vivo e palpitante
a humanidade acabou
agora
o tempo do dinheiro fala mais alto
toca-me agora
e torna real o momento
em que a carne desperta a mente
e se acendem as luzes do dia
-apesar de a luz já ter existido e inundado o olhar
vamos
atravessemos a porta que eu evito
no cansaço que afugento
quando o perigo são as palavras
insuficientes para definir o silêncio desta noite
ou o incómodo zumbido das luzes
ou a mão que procura o vazio
e quase lhe toca
binómios depressivos é o que somos
prazeres diluídos
ainda antes de tocar os lábios
que sabem a carne
... nada mais
o sangue e a pele quente
que sabe a ferro
a frieza do aço envolvente
latrinas fétidas onde o tempo parece parado
e nós vivemos
para chegar a casa sem nada
para dizer MERDA
como num poema sem sentido
feito de avanços e recuos
da frágil consciência
esquizofrénico espreito para fora de mim
sinto as coisas como um novo estranho
o perfume guardado na cama feita
as passagens que subsistem dos corpos cruzados
o enigma
vem
deixa-me ver-te real
aqui e agora
explode para fora de ti
contra o tempo que falta
contra o reconhecimento fácil da carne
contra a fragmentação pontilhista da criação
vem beijar a boca do mundo
possuir a carne e as suas vibrações
possuir a palavra alma e as palavras que a formam
e ser plena e possuída e não fazer sentido como a beleza do mundo
tenho sonos divinatórios que esqueço
quando acordo sem beijo para saudar o dia
e na noção de corpo as memórias de outros dias
e noites quentes
num ano de verão permanente
todas as minhas fantasias vão envelhecer e engordar
menos tu
fogueira do meu sexo
luz do meu intelecto
humana razão que perco
quando ando às voltas e mordo a minha cauda reptiliana
em uivos de dor
de prazer adiado e esquecido
quando
a minha carne está morna para a frieza da tua alma
contida nas relativas leis dos homens e do mundo
contida
na regência do afastamento dos corpos celeste e carnais
precisamos de fogo para as mãos
tira a chama que arde no peito
limpa a lama dos meus olhos
quando é que a última palavra terminará o poema?
quando nos salvaremos?
felino e ágil movo-me por entre o desejo
completamente incompleto nas incertezas
de animal vivo e palpitante
a humanidade acabou
agora
o tempo do dinheiro fala mais alto
10 agosto 2008
30 junho 2008
17 abril 2008
a solidão dos dias
acordo para a trémula água das palavras
canto outro corpo
serei aquilo que fôr possível ser na solidão da casa
onde as aranhas interromperam o trabalho das teias
e nunca mais voltam
em cada gesto agora petreficado
frente ao espelho descubro que sou o único a saber
quem és...lume e pó de cidade
tatuados no reflexo aquático do luminoso corpo
a sombra transparente dum veleiro fende a memória
tacteio-me para corrigir a realidade...entro no espelho
líquido a líquido procuro as mãos e o nome
sabendo como é sempre exterminadora a madrugada
sou um feixe de poeira...perdi a consistência
reclino o corpo de tinta inacessível à dor
sorrio enfim ao desejo de querer morrer
al berto
canto outro corpo
serei aquilo que fôr possível ser na solidão da casa
onde as aranhas interromperam o trabalho das teias
e nunca mais voltam
em cada gesto agora petreficado
frente ao espelho descubro que sou o único a saber
quem és...lume e pó de cidade
tatuados no reflexo aquático do luminoso corpo
a sombra transparente dum veleiro fende a memória
tacteio-me para corrigir a realidade...entro no espelho
líquido a líquido procuro as mãos e o nome
sabendo como é sempre exterminadora a madrugada
sou um feixe de poeira...perdi a consistência
reclino o corpo de tinta inacessível à dor
sorrio enfim ao desejo de querer morrer
al berto
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