12 novembro 2008
09 novembro 2008
07 novembro 2008
Esta puta que fodemos
que vivem a poesia dentro de um diploma
num mero rasgo de papel superficial
sem qualquer calor
para eles não tenho mais nada senão
o meu ódio
um sexo gordo e erecto
e uma arma para acabar com o seu sofrimento
a minha caneta
sabes, a poesia é uma puta
que nas minhas palavras se torna santa
longe das considerações dos outros
e do vil metal que enche a tua boca
como tu, já vi eu muitos
e muitos mais rasguei sob os pés grandes
e pesados
sabes,
nunca gostei de me sentir preso
a religiosos cânones que tiram o sabor à vida
e a tornam
um pedaço de sémen de pus
uma delícia sincronizada
EFECTUADA friamente com essas mãos basculantes
Sobra a letargia da cultura podre
a ser varrida pelos gestos violentos
por estes dedos calejados
que exigem uma viagem
que nunca tiveste a coragem de tomar
Esta seria a experiência indicada
para a tua patologia crónica
que nada mudou nestes últimos anos
de morte carnavalesca
Mas és demasiado sério
levas a seriedade a um ponto invísivel
ordenas sem saber que tropas frias
invadem os campos de cinza
num OFF apagado pelo uso
e pelo cansaço do corpo vivo
um velho
apenas um velho que corre
para um autocarro que já partiu
cansado do cansaço do seu corpo
estás farto de viver
completo
e por isso escolheste ver apenas a relativa beleza
- os dias da juventude, o embrião da tua visão
meses e anos passados nos cínicos rítmos
dos créditos,
do pontual depósito com que se sacrifica
a liberdade
fizeram a tua existência de papel
mas eu é que estou morto
por apagar uma fuga narcótica
e procurar uma fuga transformadora
por consentir os pequenos hábitos
necessários
e pedir muito mais
algo em que possa tocar
e sinta
esventrada a quatro mãos por Daniel Ferreira e quase.
04 novembro 2008
É preciso Kalma
Kimmo Pohjonen & Samuli Kosminen and Kronos Quartet "Kalma"
Tive a oportunidade de ver este senhor ao vivo pela primeira vez. A Casa da Música foi o local que recebeu Kimmo Pohjonen Kluster sem o Kronos Quartet e acompanhado de Juuso Hannukainen nas percussões e samplers no lugar de Samuli Kosminen. Apesar da composição minimalista a Sala Suggia ficou totalmente preenchida com a força interpretativa do dueto.
Ainda hoje não sei o que dizer sobre o concerto absolutamente fantástico que vi. É raro ver algo de absolutamente original no campo da música, muito menos esperava um espectáculo audiovisual em que som e luz ganharam a capacidade de produzir atmosferas que vão do religioso ao hipnotizante. A união entre o cibernético e o orgânico na música de Pohjonen esta carregada das tensões e incertezas que nos assombram. O concerto acaba e ficamos mais conscientes da música em nós - ou dos nosso reflexos na música.
Esta passagem fugaz pelo Porto, inserida numa minitour em Portugal, soube a muito pouco - pelo menos a mim. Ainda não há datas anunciadas para um regresso.
Kimmo Pohjonen, Keko
A segunda parte foi assegurada pelos também Finlandeses Värttinä, que apesar da qualidade e alegria das suas músicas, viram a sala esvaziar-se progressivamente ao longo do concerto. O ponto alto foi, sem dúvida, o solo de bateria que deixou quem ainda estava presente surpreendida com o alcance musical de uma banda claramente folk. O colectivo ganha com a expressão dramática das três vocalistas e com as magníficas vocalizações com que brindaram o público. Sem dúvida foi um concerto que passou, injustamente, ao lado da maioria das pessoas que se deslocaram à Casa da Música.
Värttinä, Aitara
Värttinä, Käppee
26 outubro 2008
Oba lá vem Ela
Uma das melhores músicas que tive oportunidade de ouvir nos últimos tempos. Jorge Ben directamente de um Brasil que vai ao encontro de todos os sonhos que temos dele. Acima de tudo um letrista e um músico incrível.
06 outubro 2008
Já nada tenho para ti
apenas mãos cheias de cinza
e o corpo coberto pelas águas
um pássaro canta
mas o mundo persiste
submerso no silêncio
sou nada
sei agora
que sou nada
e a madrugada é uma lâmina
que se engole a custo
quando se desconhece
como fazer a vida
quando se descobre o tempo
a vã juventude que se esvai
como uma veia aberta
já disse
nada tenho para ti
agora
as mãos são um pasto de líquenes
e o corpo ficou consumido por um fogo
agora apagado.