"laughing out loud",
podia começar assim o poema;
como estamos na modernidade
- e a crise impera -
vamos poupar e escrever apenas
"LOL"
- mini lolita sem o sexo
e sem o poema que,
entretanto,saiu de moda.
04 maio 2009
"Cada um tem o que merece"
“Cada um tem o que merece”
- dizes tu e eu
e os sussurros obscuros da vida.
Nenhuma filosofia aqui
ou abstracta miragem
- apenas uma verdade empírica
demasiadas vezes comprovada.
- dizes tu e eu
e os sussurros obscuros da vida.
Nenhuma filosofia aqui
ou abstracta miragem
- apenas uma verdade empírica
demasiadas vezes comprovada.
Era para ir trabalhar
Era para ir trabalhar
deram-me a absoluta certeza
de quem mente
certamente assegurado
de que quem um dia vai comer
esta dura merda
não será ele nem o seu filho
pela boca de um filho meu.
Era para ir trabalhar,
deram-me a certeza da incerteza
de uma palavra por confirmar.
Era para ir trabalhar mas não fui
com a certeza de que quem um dia
vai chorar serão eles,
quem hoje me condena ao pecado
do tempo livre, da escrita plena,
do sol pleno que já não aquece
a minha vontade ser útil e produzir.
Era para ir trabalhar, deram-me a certeza
de que iria; mentiram-me sem merecer
já que me alimento de sonhos
e o dinheiro que preciso é para álcool
para afogar o meu destino.
Deram-me a certeza de que ia trabalhar
hoje ou amanhã,
mas sem certeza continuo
e, apesar de não o merecer,
descubro que até quem não merece
por vezes é quem sofre mais.
deram-me a absoluta certeza
de quem mente
certamente assegurado
de que quem um dia vai comer
esta dura merda
não será ele nem o seu filho
pela boca de um filho meu.
Era para ir trabalhar,
deram-me a certeza da incerteza
de uma palavra por confirmar.
Era para ir trabalhar mas não fui
com a certeza de que quem um dia
vai chorar serão eles,
quem hoje me condena ao pecado
do tempo livre, da escrita plena,
do sol pleno que já não aquece
a minha vontade ser útil e produzir.
Era para ir trabalhar, deram-me a certeza
de que iria; mentiram-me sem merecer
já que me alimento de sonhos
e o dinheiro que preciso é para álcool
para afogar o meu destino.
Deram-me a certeza de que ia trabalhar
hoje ou amanhã,
mas sem certeza continuo
e, apesar de não o merecer,
descubro que até quem não merece
por vezes é quem sofre mais.
27 abril 2009
Motor
O barulho do motor sobrepõe-se a todas as coisas
Às desordenadas vozes e aterrados pensamentos
A mente tem de estar calma e concentrada
Fria
Não há espaço para hesitações
Quando se está ao comando
Os dias são longos e cansativos
Não há nenhuma promessa ao fundo do túnel
As luzes estão apagadas na estrada
Há apenas carros que passam
Rápidos transeuntes
Mortos
Um motor que ruge a afastando a solidão
Será isto a vida
Conduzir pela noite numa estrada negra
Disparar fervorosamente nas pausas da morte
Tentando acumular memórias
Perceber a existência
Luzes que passam
Borrões na velocidade
Movimento aparente nas estáticas palavras
Que caem desalinhadas pela folha virgem.
Às desordenadas vozes e aterrados pensamentos
A mente tem de estar calma e concentrada
Fria
Não há espaço para hesitações
Quando se está ao comando
Os dias são longos e cansativos
Não há nenhuma promessa ao fundo do túnel
As luzes estão apagadas na estrada
Há apenas carros que passam
Rápidos transeuntes
Mortos
Um motor que ruge a afastando a solidão
Será isto a vida
Conduzir pela noite numa estrada negra
Disparar fervorosamente nas pausas da morte
Tentando acumular memórias
Perceber a existência
Luzes que passam
Borrões na velocidade
Movimento aparente nas estáticas palavras
Que caem desalinhadas pela folha virgem.
24 abril 2009
Músculos
A religião dos teus pais não te salvará;
muito menos a certeza moral da inocência.
Compreende que agora, hoje em dia,
és apenas mais um escravo
que vive sob a simples ideologia
dos músculos.
muito menos a certeza moral da inocência.
Compreende que agora, hoje em dia,
és apenas mais um escravo
que vive sob a simples ideologia
dos músculos.
Ninguém espera
Ninguém espera
já
que alguém o salve
muito menos de si mesmo
dessa criatura frágil
e suja que assombra o espelho.
Nada que pare a bala
que parte e fissura
prática e democrática
em erradas mãos,
sempre nas mãos erradas.
E quando o silêncio cai
é sempre a interrupção de algo
é sempre a ordem premente
para a reacção.
Não
já ninguém espera e todos se dedicam
a fingir que acreditam
que as coisas podem ser
que pode ser mentira a ilusão
cada vez mais viva a rosnar-lhe os dentes
do ódio.
É sempre melhor não acreditar
na maldade
viver como inocentes de fácil morte.
já
que alguém o salve
muito menos de si mesmo
dessa criatura frágil
e suja que assombra o espelho.
Nada que pare a bala
que parte e fissura
prática e democrática
em erradas mãos,
sempre nas mãos erradas.
E quando o silêncio cai
é sempre a interrupção de algo
é sempre a ordem premente
para a reacção.
Não
já ninguém espera e todos se dedicam
a fingir que acreditam
que as coisas podem ser
que pode ser mentira a ilusão
cada vez mais viva a rosnar-lhe os dentes
do ódio.
É sempre melhor não acreditar
na maldade
viver como inocentes de fácil morte.
A verdade
Ainda ontem
recordas
havia tempo
para os dias e para os gestos
completos.
Recordas
quando na janela
fechada
se lia todo o mundo
e as horas eram
insignificantes como pegadas esquecidas?
A luz escorregava
pelo teu corpo
dúctil água das tuas formas
e eramos simples
e felizes.
O amanhã era uma sentença
sempre adiada.
Hoje estamos presos
e empregos tomam conta
dos presentes contrariados
e das futuras promessas
esquecidas na névoa terminológica
dos contractos.
A verdade,
se ainda podemos falar assim,
é a crise e as respostas
dos olhos deprimidos frente ao espelho.
A verdade,
são as queixas ouvidas
as vidas perdidas
anónimas nos vagões que nos transportam,
organizado gado, humanos simplificados,
numerados
confortavelmente acondicionados
em confortáveis carruagens condicionadas
na escravatura dos dias,
nas regras e ordens
que lavraram para crescermos,
tolhidos e infelizes,
rodeados de coisas
e da felicidade ausente.
Agora dorme.
Aproveita a viagem que te leva
a lado nenhum
e recupera as energias para correr
e manter os horários inflexíveis
e a ordem
de saltar de sonho em sonho
sem nada ter
na falsa promessa do crédito.
recordas
havia tempo
para os dias e para os gestos
completos.
Recordas
quando na janela
fechada
se lia todo o mundo
e as horas eram
insignificantes como pegadas esquecidas?
A luz escorregava
pelo teu corpo
dúctil água das tuas formas
e eramos simples
e felizes.
O amanhã era uma sentença
sempre adiada.
Hoje estamos presos
e empregos tomam conta
dos presentes contrariados
e das futuras promessas
esquecidas na névoa terminológica
dos contractos.
A verdade,
se ainda podemos falar assim,
é a crise e as respostas
dos olhos deprimidos frente ao espelho.
A verdade,
são as queixas ouvidas
as vidas perdidas
anónimas nos vagões que nos transportam,
organizado gado, humanos simplificados,
numerados
confortavelmente acondicionados
em confortáveis carruagens condicionadas
na escravatura dos dias,
nas regras e ordens
que lavraram para crescermos,
tolhidos e infelizes,
rodeados de coisas
e da felicidade ausente.
Agora dorme.
Aproveita a viagem que te leva
a lado nenhum
e recupera as energias para correr
e manter os horários inflexíveis
e a ordem
de saltar de sonho em sonho
sem nada ter
na falsa promessa do crédito.
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