26 agosto 2009
24 agosto 2009
e
Há um terror que toma conta de mim
Antes de agarrar a caneta e olhar
O papel, o inconlusivo mundo que se tenta
Organizar e dizer a outros olhos semióticos.
e
A dúvida permanece - o eco relativo
Do envelhecimento - enquanto as mensagens
Não chegam, enquanto amigos trémulos
Explicam os mecanismos do vício e se recordam
Tempos passados e incertas vitórias.
e
Onde estão as palavras que expliquem
Que o que nos faz viver agora continua a ser
A dúvida do coração: o sítio de onde vem a batida
Que nos lança desenfreados em livre-queda
Nos corpos-solidão que adornam a noite turva?
e
Não há forma de coordenar os anjos destas palavras
Com os demónios que trago nos ossos; prolongo a luta
Entre um bem e um mal ainda mais relativo e alinho mortos
Antes de ir dormir. A tragédia é que as memórias persistem
Na pele e no tempo, na necrópole da mente rasteira
Invadida por tristes insectos que me devoram os olhos
E apagam os sentidos às coisas.
e
Nem o sangue da caneta se consegue prender a este papel
Gorduroso de mil bebidas e mil noites dispersas em mil
Conversas que nenhuma ciência económica consegue traçar
O rasto ou o sentido ou o propósito comum. Como escrever
Quando a caneta se nega ou apenas suja as dúvidas da folha,
Que é pele e corpo de mim mesmo, quando o que se tenta
Agarrar é diáfano como uma fantasia demasiado breve?
e
Quando já toda a gente abandonou a madrugada e as ruas
Apenas estão adornadas pelo lixo e pelo silêncio, um ocasional
Vizinho ainda está à janela e fuma sobre o granito polido
Pelos venenos e pelos passados passos dados contra os muros;
Os últimos passos da noite chutam para longe os copos vazios
Do dia que se aproxima; os anticorpos municipais preparam
A limpeza das veias, o sistemático apagamento da memória.
e
É esta a dança em torno da árvore dos esqueletos, o passatempo
Do amor que se perde e encontra em ruas mascaradas e nos passos
Incertos que nos impelem para casa de estranhos ou para o frígido futuro
Em que se oferece o calor do corpo, mas não a intimidade das palavras
Que caem e se perdem como o dinheiro com que se enchem os bolsos.
e
Depois de tudo isto vem o alheamento do sono e a relativa paz
Em que se descansa a razão sem saber ao lado de quem se dorme
- Preenchendo com sonhos os desejos mais íntimos que nunca mais serão
E a permanência do terror de ter as mãos partidas em inúteis palavras.
Antes de agarrar a caneta e olhar
O papel, o inconlusivo mundo que se tenta
Organizar e dizer a outros olhos semióticos.
e
A dúvida permanece - o eco relativo
Do envelhecimento - enquanto as mensagens
Não chegam, enquanto amigos trémulos
Explicam os mecanismos do vício e se recordam
Tempos passados e incertas vitórias.
e
Onde estão as palavras que expliquem
Que o que nos faz viver agora continua a ser
A dúvida do coração: o sítio de onde vem a batida
Que nos lança desenfreados em livre-queda
Nos corpos-solidão que adornam a noite turva?
e
Não há forma de coordenar os anjos destas palavras
Com os demónios que trago nos ossos; prolongo a luta
Entre um bem e um mal ainda mais relativo e alinho mortos
Antes de ir dormir. A tragédia é que as memórias persistem
Na pele e no tempo, na necrópole da mente rasteira
Invadida por tristes insectos que me devoram os olhos
E apagam os sentidos às coisas.
e
Nem o sangue da caneta se consegue prender a este papel
Gorduroso de mil bebidas e mil noites dispersas em mil
Conversas que nenhuma ciência económica consegue traçar
O rasto ou o sentido ou o propósito comum. Como escrever
Quando a caneta se nega ou apenas suja as dúvidas da folha,
Que é pele e corpo de mim mesmo, quando o que se tenta
Agarrar é diáfano como uma fantasia demasiado breve?
e
Quando já toda a gente abandonou a madrugada e as ruas
Apenas estão adornadas pelo lixo e pelo silêncio, um ocasional
Vizinho ainda está à janela e fuma sobre o granito polido
Pelos venenos e pelos passados passos dados contra os muros;
Os últimos passos da noite chutam para longe os copos vazios
Do dia que se aproxima; os anticorpos municipais preparam
A limpeza das veias, o sistemático apagamento da memória.
e
É esta a dança em torno da árvore dos esqueletos, o passatempo
Do amor que se perde e encontra em ruas mascaradas e nos passos
Incertos que nos impelem para casa de estranhos ou para o frígido futuro
Em que se oferece o calor do corpo, mas não a intimidade das palavras
Que caem e se perdem como o dinheiro com que se enchem os bolsos.
e
Depois de tudo isto vem o alheamento do sono e a relativa paz
Em que se descansa a razão sem saber ao lado de quem se dorme
- Preenchendo com sonhos os desejos mais íntimos que nunca mais serão
E a permanência do terror de ter as mãos partidas em inúteis palavras.
Com demasiado tempo entre mãos
Há um terror que toma conta de mim
antes de agarrar a caneta e olhar
o papel, o inconclusivo mundo
que se tenta organizar em palavras e dizer
aos semióticos olhos dos outros.
A dúvida, essa eterna companheira, é.
antes de agarrar a caneta e olhar
o papel, o inconclusivo mundo
que se tenta organizar em palavras e dizer
aos semióticos olhos dos outros.
A dúvida, essa eterna companheira, é.
23 agosto 2009
Deixei de viver de dia
deixei de viver de dia.
escondo-me nos olhos
da noite e o sol já não consegue
encontrar-me. já nem sei o que é
o corpo, essa vaga ilusão biológica
que deixou de me atormentar.
os dias são para dormir, para recuperar
uma nova noite onde me esconder
e esquecer quem sou e o que fui.
escondo-me nos olhos
da noite e o sol já não consegue
encontrar-me. já nem sei o que é
o corpo, essa vaga ilusão biológica
que deixou de me atormentar.
os dias são para dormir, para recuperar
uma nova noite onde me esconder
e esquecer quem sou e o que fui.
21 agosto 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)