29 setembro 2009

O meu ouro

O meu ouro
Tem sempre o brilho
Característico,
Constante,
Do latão.

28 setembro 2009

Morphine



obrigado daniel pela dica musical!

Há que fazer escolhas

A escolha entre a felicidade e o futuro
É o equilíbrio impossível da balança.
Compreendam esta imagem: os braços
São sempre pequenos demais para encerrar
Tudo o que se quer e há pessoas que tiram
O mundo de dentro de carteiras de bom corte,
Da pele moldada por outras mãos sem sangue
- não é mau de todo: nos intervalos do trabalho
Temos a televisão, o ruminar bovino das refeições
Enquanto aprendemos a pensar e a sentir, as horas
Desperdiçadas a criar riqueza para outras mãos
Mais hábeis e educadas na arte da distribuição...
E somos livres... não nos podemos esquecer.

Mas há que fazer escolhas:
E enquanto umas nos conduzem a fatos
Cortados à medida e a alvos punhos de camisas,
Outras conduzem-nos à servidão massificada
Das lojas de venda a retalho. A caverna, hoje,
São as paredes do shopping e o que nos cega
São os dedos assépticos das lojistas sem idade,
A publicidade sexualizada e a ditadura da marca.

Quando ser único é um luxo que custa comprar,
Acredita que te podes tornar uma pessoa
- se tiveres a roupa certa para o ser.

24 setembro 2009

A solidão em redor

O amor não faz sentido.
É impossível amar corpos
Mil vezes usados, mil vezes
Destruídos como o esqueleto
Mórbido onde se habita. O amor
É impossível, mas o prazer é real.

Contudo, enganemo-nos de boa vontade
Para esquecer a solidão que nos mói
Os dias entediantes entre letras e imagens,
Submetidos às vontades de patrões
E colegas que não merecem esse nome.

Juntemos duas solidões diferentes
E esqueçamos o mundo em redor.

22 setembro 2009

Deste blog

O colchão

As noites acabam assim,
o falso silêncio nos quatro cantos
de um colchão cheio de arestas
que me culpa de solidão. Soubesse eu
onde andas, a medida do teu desejo,
e tudo seria mais simples. Chegar-lhe-ia
o fogo para aprender a não ser cruel.