E ali estava ela:
Sustida pela balaustrada
Inoxidável da pastelaria.
E era assim que ela estava:
O sol cobrindo de luz o rosto
Bissectado pela sombra da paragem;
O gesso da mão esquerda rezando nervoso
Sobre o calor da direita e o seu afagar distraído;
O cabelo negro de alguma idade e oleoso, cortado;
A roupa, velha como ela gasta. Quando a aproximação
Se concretiza e os olhos falam a outros olhos, ela olha a sombra
Do horizonte turvo pelas lágrimas fáceis dos velhos.
Porque é que ela chorava?
Não sei... não lhe perguntei e segui caminho.
30 setembro 2009
As ferramentas da corrupção
A cerveja e o fumo;
A mesa plana
Como um mapa;
O aquoso turbilhão da folha;
As ocasionais companhias
Duvidosas
- Eis, alinhadas, as ferramentas
Da corrupção.
A mesa plana
Como um mapa;
O aquoso turbilhão da folha;
As ocasionais companhias
Duvidosas
- Eis, alinhadas, as ferramentas
Da corrupção.
29 setembro 2009
O terceiro excluído
Os triângulos são formas
Socialmente impraticáveis:
Entre a soma dos dois catetos
E o comprimento da hipotenusa
Não há nenhum teorema capaz
De estabelecer uma relação.
O quadrado desta bizarra soma
É o trapézio traçado a giz no quadro
Negro, primário, onde se jogam
As somas de dois com o comprimento
De uma fina linha traçada, improvável,
A branco. Vendo bem a raíz quadrada
De todo este problema está no resultado:
Que é sempre zero.
Socialmente impraticáveis:
Entre a soma dos dois catetos
E o comprimento da hipotenusa
Não há nenhum teorema capaz
De estabelecer uma relação.
O quadrado desta bizarra soma
É o trapézio traçado a giz no quadro
Negro, primário, onde se jogam
As somas de dois com o comprimento
De uma fina linha traçada, improvável,
A branco. Vendo bem a raíz quadrada
De todo este problema está no resultado:
Que é sempre zero.
28 setembro 2009
Há que fazer escolhas
A escolha entre a felicidade e o futuro
É o equilíbrio impossível da balança.
Compreendam esta imagem: os braços
São sempre pequenos demais para encerrar
Tudo o que se quer e há pessoas que tiram
O mundo de dentro de carteiras de bom corte,
Da pele moldada por outras mãos sem sangue
- não é mau de todo: nos intervalos do trabalho
Temos a televisão, o ruminar bovino das refeições
Enquanto aprendemos a pensar e a sentir, as horas
Desperdiçadas a criar riqueza para outras mãos
Mais hábeis e educadas na arte da distribuição...
E somos livres... não nos podemos esquecer.
Mas há que fazer escolhas:
E enquanto umas nos conduzem a fatos
Cortados à medida e a alvos punhos de camisas,
Outras conduzem-nos à servidão massificada
Das lojas de venda a retalho. A caverna, hoje,
São as paredes do shopping e o que nos cega
São os dedos assépticos das lojistas sem idade,
A publicidade sexualizada e a ditadura da marca.
Quando ser único é um luxo que custa comprar,
Acredita que te podes tornar uma pessoa
- se tiveres a roupa certa para o ser.
É o equilíbrio impossível da balança.
Compreendam esta imagem: os braços
São sempre pequenos demais para encerrar
Tudo o que se quer e há pessoas que tiram
O mundo de dentro de carteiras de bom corte,
Da pele moldada por outras mãos sem sangue
- não é mau de todo: nos intervalos do trabalho
Temos a televisão, o ruminar bovino das refeições
Enquanto aprendemos a pensar e a sentir, as horas
Desperdiçadas a criar riqueza para outras mãos
Mais hábeis e educadas na arte da distribuição...
E somos livres... não nos podemos esquecer.
Mas há que fazer escolhas:
E enquanto umas nos conduzem a fatos
Cortados à medida e a alvos punhos de camisas,
Outras conduzem-nos à servidão massificada
Das lojas de venda a retalho. A caverna, hoje,
São as paredes do shopping e o que nos cega
São os dedos assépticos das lojistas sem idade,
A publicidade sexualizada e a ditadura da marca.
Quando ser único é um luxo que custa comprar,
Acredita que te podes tornar uma pessoa
- se tiveres a roupa certa para o ser.
27 setembro 2009
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