Uma fortaleza; fecha-te em ti, dentro de ti visceral,
Homem-verme que aprofunda as razões de ser assim
Na incerteza do que é. Atenção às muralhas de papel,
Causticas, que derretem qualquer corpo vivo
Que se aproxime com passos de guerra ou paz;
Atenção aos espaços em branco por onde possam passar
E ver o teu corpo cinzento e multiforme, as cascas
Da tua dor feita corpo, da tua morte feita existência
Diária, do teu corpo conservado no frio cerebral
Que te mantém a respirar e a ansiar por outro dia.
Mira fundo de dentro da tua cova contando pelos dedos
Os direitos e os deveres do amor, da amizade, dos dias
Mal passados e pensa que um dia, quando menos esperares,
Podes dar por ti afogado na tua própria lama a desejar
Tudo aquilo que um dia quiseste e não soubeste manter,
Tudo aquilo que um dia tiveste e perdeste por uma névoa
Que te turvasse o entendimento do mundo e das coisas.