para abalar este nariz enjoado de todos os cheiros
nauseabundos que varrem os céus da cidade.
Empurra também, para mim, um monte de merda
capaz de enjaular todos os ortodoxos terrores
dos nervos em franja, das buzinas e das sirenes
da ausência casual, dos brumosos propósitos
da existência. Um pouco de agitação, agora,
amor que te partiste sem nunca te teres encontrado!
Vamos snifar o sémen seco dos deuses
e descobrir a potência perdida, os filhos desdenhosos
em dias cinzentos na cinzelada selva de metal
e os monstros verdes que nos esperam
na bruma, onde ser e não ser faz o nosso ser frágil tremer
a cada hora, a cada chuto do coração nas raízes
do medo. O corpo, musculado de tanto tremor,
parado numa eternidade ilusória,
transpira uma imagem casual e acertada que no sonho
paira, icónica.Todos nós, enquanto foragidos,
deturpados pela ondulação dos sentidos, procuramos
a razão e o motivo que tragam sentido à flor
de sangue no nosso jardim, à cidade contínua.
E se a televisão natalícia te grita agora imagens
que nunca escolheste ver, pensa no passado, relembra
o conforto estofado da infância. Cocas, o Sapo e a sua
voz debaixo da luz holofótica:
"Talvez, reinventando o tempo, apanhando os cacos
fragmentados do vidro do passado, esse espelho
em que já não nos revemos, parasitas,
possamos reaver os problemas que nunca emergiram
da casca dura que nos precede
e teima em prolongar o movimento cadente
dos sentidos lineares. Se o coração não aguentar,
bem, tens sempre a fantasia. Para provar a tua inexistência".
em filmes surrealistas com este blog
