Até os bófias se comovem com os gritos
das crianças que correm, alheias
às carrinhas anti-motim; sem lei
nem ordem precipitam-se no interior
do teatro, onde lhes venderão a magia
fácil dos holofotes acéfalos,
o entretenimento cor-de-rosinha
com que adoçam o mundo corporativo.
Hoje é um dia de clemência amena
e casais sentam-se nos degraus da praça
esmagados sob as sombras, vendo
os velhos passar lentos, esquecidos
do trânsito e da poluição, o ruído
dos autocarros e do mundo - são
apenas face e toque e esperam
um sinal, um pressentimento dúctil.
Nós, os que caminhamos à volta,
andamos à procura e improvisamos
uma vida.
20 janeiro 2010
19 janeiro 2010
Mortos, Dia dos
Ninguém compra velas
Para adorar as noções
Românticas
ou os mortos.
Mortos
Não podem adorar os seus
mortos.
Para adorar as noções
Românticas
ou os mortos.
Mortos
Não podem adorar os seus
mortos.
A superfície da superfície visível das coisas.
Agora convém que me explique:
Estas ruas cheias de signos e ordens
Mudas tornaram o lar num débil
Conceito impossível; o tempo é
Perseguir o tempo, ocupar as horas
E o corpo com outras
Necessidades em acordos tácitos
E silenciosos. A vida, este inócuo
Espectáculo, este contar regressivo
Até a um zero, é trabalho suficiente
Sem nos foderem a cabeça todos
Os dias - fodem-nos, e não deixam
Dinheiro na mesinha à saída e não
Há forma deste corpo despertar
Do torpor desta mente que mente.
Não há como regressar ao lugar
De onde partimos e é isto a morte:
O longo caminho de regresso
Onde os navios ardem no cais
E o mar ficou mais selvagem.
O medo - cão faz hoje parte de nós,
Exploradores
Destas noites claras, deste novo
Calor que somente aquece a superfície
Da superfície visível das coisas.
Estas ruas cheias de signos e ordens
Mudas tornaram o lar num débil
Conceito impossível; o tempo é
Perseguir o tempo, ocupar as horas
E o corpo com outras
Necessidades em acordos tácitos
E silenciosos. A vida, este inócuo
Espectáculo, este contar regressivo
Até a um zero, é trabalho suficiente
Sem nos foderem a cabeça todos
Os dias - fodem-nos, e não deixam
Dinheiro na mesinha à saída e não
Há forma deste corpo despertar
Do torpor desta mente que mente.
Não há como regressar ao lugar
De onde partimos e é isto a morte:
O longo caminho de regresso
Onde os navios ardem no cais
E o mar ficou mais selvagem.
O medo - cão faz hoje parte de nós,
Exploradores
Destas noites claras, deste novo
Calor que somente aquece a superfície
Da superfície visível das coisas.
18 janeiro 2010
17 janeiro 2010
Dias tristes
Os domingos são dias tristes
Como os outros. Se parecem
Maiores é porque são mais
Tristes que os outros porque
O mundo,
Parece ter parado de rodar
E toda a gente parece ter
Desaprendido como viver.
Acordamos tarde e deprimidos
Por já se ter perdido parte
Da inutilidade do dia, por
Haver menos horas a ocupar
Com o tédio do dia, o filme
Prático e pop na tv; trabalhos
Há que ainda estão por fazer,
Pontuando a inutilidade
Das mãos, das horas diurnas,
Da vontade de fugir deste
Círculo de insucesso. Este
Domingo, vou ficar fechado
Em casa, sem vontade ou
Desejo de sair - também,
Com quem sair ao domingo,
Quando tudo está parado e
Fechado e uma chuva leve
E ácida corroi as paredes
Graníticas da cidade e a
Natureza deste tempo mole,
De uma inconsequência oncológica?
15 janeiro 2010
Serviço público de televisão
Um senhor em entrevista no canal 2. Joan Margarit no programa Bairro Alto falando de democracia, educação, cultura e poesia.
Sabor da despedida
Estes beijos sabem a despedida,
A sal, a dedos cortados. Estes
Beijos são sem o serem.
São um contacto fútil, fugaz
Alegria, suprema cegueira
De tardes inconclusivas.
Estes beijos já não falam
A língua da paixão.
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