01 fevereiro 2010
31 janeiro 2010
Esforços
Estes esforços são tão inúteis como o ar
Que respiramos; a poesia já não é
Refúgio: é onde me escondo e perco.
Agora, faz-me vir ou mata-me, não interessa
O futuro quando o corpo que desperta
Vive no passado, na mulher perfeita
Que já não é e no homem perfeito
Que jaz morto e enterrado, menino
De sua mãe sem guerra exterior.
Do conflito interior nasceu esta confusão,
Estes nós de sangue inextricáveis e
Os riscos que se correm neste abrir
Dos olhos excitados já nada vêm, apenas
A escuridão do poço dos seus sentidos
E este calor inerte como cinza. Sem dúvida,
Andamos aqui a morrer aos poucos, longe
Dos projectos para um futuro como nós
- cada vez mais distante, cada vez mais
de outros braços.
- cada vez mais distante, cada vez mais
de outros braços.
Interlúdio
A pergunta à qual ninguém consegue responder é "quem desiste primeiro de quem"? Se quem fala primeiro faz disparar os alarmes, quem se manteve em silêncio com medo do ruído é igualmente culpado do caos que se segue. Não podemos esquecer a moral e os bons costumes - afinal de contas são estes factores que vão manter o primeiro acordado à noite e o outro a dormir como um anjo.
No meu sonho
No meu sonho passas de carro
com os teus pais e eu estou lá,
olhos fechados, a ver-te passar;
por mais que tente não consigo
abri-los para te ver uma última
vez - sei que vais embora para
além do tempo e espaço que
os seres humanos conseguem
compreender. Sei que dizes adeus,
que não podes voltar, que o
tempo, este tempo, é uma corrente
demasiado forte para quem aprendeu
a nadar há tão pouco tempo. Eu estou
nu, na rua transitória que é a cama,
e sem olhos vejo-te afastar sem
esboçar uma palavra e grito e estou
mudo com os meus lábios cosidos.
Depois de compreender isto,
só me resta acordar aos gritos.
com os teus pais e eu estou lá,
olhos fechados, a ver-te passar;
por mais que tente não consigo
abri-los para te ver uma última
vez - sei que vais embora para
além do tempo e espaço que
os seres humanos conseguem
compreender. Sei que dizes adeus,
que não podes voltar, que o
tempo, este tempo, é uma corrente
demasiado forte para quem aprendeu
a nadar há tão pouco tempo. Eu estou
nu, na rua transitória que é a cama,
e sem olhos vejo-te afastar sem
esboçar uma palavra e grito e estou
mudo com os meus lábios cosidos.
Depois de compreender isto,
só me resta acordar aos gritos.
Saber mentir, sorrindo
Hoje apertei a mão a um deputado
Da nação e não me senti melhor
Ou privilegiado ou senti sequer
Tranquilidade quanto ao meu futuro.
Ele também preferia ter outra mão
de outra pessoa diferente e poderosa
para apertar: o incomodo nos gestos,
Na organização do corpo, provou que,
Acima de tudo, jornalistas e políticos
Têm de saber mentir, sorrindo.
Da nação e não me senti melhor
Ou privilegiado ou senti sequer
Tranquilidade quanto ao meu futuro.
Ele também preferia ter outra mão
de outra pessoa diferente e poderosa
para apertar: o incomodo nos gestos,
Na organização do corpo, provou que,
Acima de tudo, jornalistas e políticos
Têm de saber mentir, sorrindo.
30 janeiro 2010
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