09 outubro 2010
07 outubro 2010
inflação
cada vez há menos gente a falar comigo
e eu compreendo porquê. o interesse
não é muito em alguém que apenas
discorre sobre dois temas e sem paciência
para filmes de amor, ódio ou desinteresse.
talvez me deva culpar a mim mesmo,
já que o que pretendo é fechar-me dentro
de outra vida que não a minha até agora;
esconder-me dentro de um desconhecido
que saiba o que fazer, que saiba o que falar
e não se preocupe com a inflação da solidão.
06 outubro 2010
implementação
a república festeja-se com plasmas no jardim
e de bolsos hiantes no vazio: de belém
o que se avista
será sempre a miragem do medo,
o adamastor do retorno económico.
30 setembro 2010
Todos vocês parecem felizes
… e sorriem, às vezes, quando falam.
E dizem, ainda,
palavras
de amor. Mas
amam-se
de dois em dois
para
odiar de mil
em mil. E guardam
toneladas de asco
por cada
milímetro de felicidade.
E parecem – nada
mais que parecem – felizes,
e falam
com a finalidade de ocultar essa amargura
inevitável, e quantas
vezes não o conseguem, como
não posso eu ocultá-la
por mais tempo: esta
desesperante, estéril, larga,
cega desolação por qualquer coisa
que – para onde não sei –, lenta, me arrasta.
E dizem, ainda,
palavras
de amor. Mas
amam-se
de dois em dois
para
odiar de mil
em mil. E guardam
toneladas de asco
por cada
milímetro de felicidade.
E parecem – nada
mais que parecem – felizes,
e falam
com a finalidade de ocultar essa amargura
inevitável, e quantas
vezes não o conseguem, como
não posso eu ocultá-la
por mais tempo: esta
desesperante, estéril, larga,
cega desolação por qualquer coisa
que – para onde não sei –, lenta, me arrasta.
- Ángel González
(tradução de Daniel Ferreira)
28 setembro 2010
Palavras nunca
Sim, posso escrever trigo
e trémulo, e de oiro,
mas uma espiga nunca
brotará do meu verso
como brota de um sulco.
Posso escrever pintassilgo
e trino, mas nunca
soará nos meus poemas
canto algum.
As nossas palavras nunca
cativarão as coisas.
Acercar-se-ão delas,
hão-de rodeá-las
como uma débil brisa...
tornando vazias.
Com um perfume talvez,
com um eco, com uma
memória esvaída...;
mas as coisas sempre
hão-de pertencer
ao seu mundo
e as palavras nunca
serão mais que palavras.
mas uma espiga nunca
brotará do meu verso
como brota de um sulco.
Posso escrever pintassilgo
e trino, mas nunca
soará nos meus poemas
canto algum.
As nossas palavras nunca
cativarão as coisas.
Acercar-se-ão delas,
hão-de rodeá-las
como uma débil brisa...
tornando vazias.
Com um perfume talvez,
com um eco, com uma
memória esvaída...;
mas as coisas sempre
hão-de pertencer
ao seu mundo
e as palavras nunca
serão mais que palavras.
- Miguel D'Orsneste blog
in El misterio de la felicidad (antologia)
27 setembro 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)
