Não te sei dizer o porquê, mas já não consigo
ter um orgasmo contigo. Não sei se será o hábito
do corpo, teu e meu, ou se isto é causado pela falta
de desejo que sinto por mim mesmo. repara, eu
não sou algo que aconselhe a quem quer que seja.
Sei quem és, o que fazes e para que me queres
aqui,
agora,
longe de qualquer futuro, neste presente inconsequente
para qualquer entendimento dos corpos.
Sei que apenas me queres foder, exercer controlo
sobre mim e sobre o meu desejo feito corpo, feito sangue,
e não sei como nomear exactamente isto, o que acontece...
Sei que não me vais ligar amanhã, se calhar nem no dia
seguinte a esse, para nos reencontrarmos: estas horas
pertencem aos corpos e as provas ténues que ficaram
foram os cheiros nos dedos e as erosões seminais na pele.
Sais de mim, sal e terra, como entraste - um rasgão superficial,
umas horas perdidas, um outro sinónimo do prazer descarnado.
Paixão, amor ou qualquer coisa intermédia ou nem isso:
gostava de te perguntar, mulher que conheceu muito mais
do que os rigores e a força do meu corpo. mas não pergunto,
porque sei (e sei que sabes também) que nos conhecemos
demasiado bem para nos apaixonarmos por ilusões
e demasiado mal para nos amarmos. É uma relação feita
de silêncios, de gestos e gemidos, de palavras por dizer
no cansaço da corrida. Agora dorme… Estás cansada,
eu sei,
de tudo isto.
'09