"loucura: fazer os mesmos actos esperando resultados diferentes"
sinceramente, esperava algo diferente hoje.
afinal de contas, de que vale tentar para repetir
os mesmos erros, as mesmas dúvidas? afinal,
falando de contas, quanto tempo passou?
o suficiente? por aqui a arrastar cadáveres
e litros de dores e lágrimas, esperando anos
que se abra uma fronteira, um armistício,
armazenando armas e rancores para mais tarde
recordar, para usar numa guerra silenciosa.
sempre a mesma, sempre os mesmos antagonistas.
olho pelos olhos da casa para a mesma paisagem,
quietude.
nevoeiro desce do monte, o ar está frio, sempre.
olho desanimado, todos os días, esperando
que algo mude, que as portas se abram,
que a névoa levante, que os dias sejam mais
que uma constante sucessão das mesmas horas.
resta-me beber o chá sozinho, diferenças
à parte, como única rotina segura para o dia.