19 abril 2012

O supino da crista


"mantém o controlo, não flipes"

a vida na onda é confusa. as coordenadas alteram-se
com a rapidez do olhar, dos sentidos. do supino da crista,
à solitária raíz tenebrosa e escura de areia e pedras
há a distância de um olhar - que já não se alcança.

18 abril 2012

Mão - Marcas

calo: área dura de pele que se tornou grossa e rígida como uma resposta a repetidos contatos e pressões

17 abril 2012

Definição possível


"loucura: fazer os mesmos actos esperando resultados diferentes"

sinceramente, esperava algo diferente hoje.
afinal de contas, de que vale tentar para repetir
os mesmos erros, as mesmas dúvidas? afinal, 
falando de contas, quanto tempo passou? 
o suficiente? por aqui a arrastar cadáveres 
e litros de dores e lágrimas, esperando anos
que se abra uma fronteira, um armistício, 
armazenando armas e rancores para mais tarde
recordar, para usar numa guerra silenciosa.
sempre a mesma, sempre os mesmos antagonistas.
olho pelos olhos da casa para a mesma paisagem,
                 quietude.
nevoeiro desce do monte, o ar está frio, sempre.
olho desanimado, todos os días, esperando
que algo mude, que as portas se abram, 
que a névoa levante, que os dias sejam mais
que uma constante sucessão das mesmas horas.
resta-me beber o chá sozinho, diferenças 
à parte, como única rotina segura para o dia.

15 abril 2012

As gelatinosas raízes do tempo


posso começar a esquecer-te.
não voltarás a entrar pela porta, 
toda sorrisos e calor (coisas horríveis
perdoadas) para esquecer comigo
as gelatinosas raízes do tempo. 
a imaginação não sabe, confunde.
a razão conhece - novamente o vazio, 
as mesmas inseguranças de sempre, 
os constantes silêncios iguais.
a surpresa será que não sinto nada
para além destas palavras: a crueldade
foi sempre demasiado fácil para mim.

12 abril 2012

Estrada


quando o fim de uma estrada e o início
de outra são o mesmo lugar encontrado,
pode recomeçar-se a viver. respiro. vivo. 
sempre.

Circular


É isto que os círculos fazem: fecham-se;
partem; continuam a girar de ar vazio.

08 abril 2012

Sem beleza e assombrados pela morte


Sem beleza e assombrados pela morte
fechamo-nos todos aqui debaixo, cave
funda do nosso silêncio abafado por música. 
amigos sem amor, amor sem amigos 
e a batida eterna que nos afasta de tudo.
não bebi. não me consigo perder desta forma.
esquecer as tragédias pessoais, a solidão
acompanhada de quem não tem nunca 
ninguém a seu lado quando chega a hora 
de ir. não sei o que fazer para deixar de sentir
esta imobilidade maior que o tempo, maior
que a noção de espaço compreendida. 
caímos neste vão escuro para outro lado, longe 
de nós mais um pouco, quase nada de outro.