21 abril 2012



repito-me demasiadas vezes...
a escrita já foi mais apelativa.

Não ouço


"o quê?"
não escuto o que digo. não compreendo
o que fazes. não sei quem sou entre tu
e eu. o que é que tenho de errado?
gostaria de conseguir parar e mudar.
ser alguém que as pessoas gostam
de encontrar acidentalmente na rua; 
ser alguém a quem ligam para sair;
alguém de quem sentem a falta...
para onde foram as vozes e mãos 
que faziam e sustinham o mundo?
terminaram as tardes imensas onde
o tempo saía dos olhos e parecia eterno
como a frágil juventude  dos ossos . 
como sempre, resta o respirar mecânico
dos relógios, a lógica dos ponteiros, 
os compromissos. sinto que existo 
sem saber como existir por mim mesmo. 
respiro
sem hipótese de o negar. acordo o dia,
sem horas, sem caras, sem ninguém.
o silêncio e o telemóvel vazio. a internet
como um abismo onde me perco. a casa
cheia de estranhos ou vazia, silenciosa.

onde estão todos mesmo?

19 abril 2012

O supino da crista


"mantém o controlo, não flipes"

a vida na onda é confusa. as coordenadas alteram-se
com a rapidez do olhar, dos sentidos. do supino da crista,
à solitária raíz tenebrosa e escura de areia e pedras
há a distância de um olhar - que já não se alcança.

18 abril 2012

Mão - Marcas

calo: área dura de pele que se tornou grossa e rígida como uma resposta a repetidos contatos e pressões

17 abril 2012

Definição possível


"loucura: fazer os mesmos actos esperando resultados diferentes"

sinceramente, esperava algo diferente hoje.
afinal de contas, de que vale tentar para repetir
os mesmos erros, as mesmas dúvidas? afinal, 
falando de contas, quanto tempo passou? 
o suficiente? por aqui a arrastar cadáveres 
e litros de dores e lágrimas, esperando anos
que se abra uma fronteira, um armistício, 
armazenando armas e rancores para mais tarde
recordar, para usar numa guerra silenciosa.
sempre a mesma, sempre os mesmos antagonistas.
olho pelos olhos da casa para a mesma paisagem,
                 quietude.
nevoeiro desce do monte, o ar está frio, sempre.
olho desanimado, todos os días, esperando
que algo mude, que as portas se abram, 
que a névoa levante, que os dias sejam mais
que uma constante sucessão das mesmas horas.
resta-me beber o chá sozinho, diferenças 
à parte, como única rotina segura para o dia.

15 abril 2012

As gelatinosas raízes do tempo


posso começar a esquecer-te.
não voltarás a entrar pela porta, 
toda sorrisos e calor (coisas horríveis
perdoadas) para esquecer comigo
as gelatinosas raízes do tempo. 
a imaginação não sabe, confunde.
a razão conhece - novamente o vazio, 
as mesmas inseguranças de sempre, 
os constantes silêncios iguais.
a surpresa será que não sinto nada
para além destas palavras: a crueldade
foi sempre demasiado fácil para mim.