para escrever é preciso mais do que palavras,
mais do que largos gestos estenográficos, mais
do que papel ou aquela caneta ou computador.
é preciso estar vivo, ter algo para dizer, vontade
de alterar o estatuto das coisas e das pessoas.
escrever transfigura, transforma e, ao contrário
deste poema, destas palavras alinhadas como
soldados tipográficos, é mais do que aparenta.
28 abril 2012
25 abril 2012
21 abril 2012
Não ouço
"o quê?"
não escuto o que digo. não compreendo
o que fazes. não sei quem sou entre tu
e eu. o que é que tenho de errado?
gostaria de conseguir parar e mudar.
ser alguém que as pessoas gostam
de encontrar acidentalmente na rua;
ser alguém a quem ligam para sair;
alguém de quem sentem a falta...
para onde foram as vozes e mãos
que faziam e sustinham o mundo?
terminaram as tardes imensas onde
o tempo saía dos olhos e parecia eterno
como a frágil juventude dos ossos .
como sempre, resta o respirar mecânico
dos relógios, a lógica dos ponteiros,
os compromissos. sinto que existo
sem saber como existir por mim mesmo.
respiro
sem hipótese de o negar. acordo o dia,
sem horas, sem caras, sem ninguém.
o silêncio e o telemóvel vazio. a internet
como um abismo onde me perco. a casa
cheia de estranhos ou vazia, silenciosa.
onde estão todos mesmo?
19 abril 2012
O supino da crista
"mantém o controlo, não flipes"
a vida na onda é confusa. as coordenadas alteram-se
com a rapidez do olhar, dos sentidos. do supino da crista,
à solitária raíz tenebrosa e escura de areia e pedras
há a distância de um olhar - que já não se alcança.
18 abril 2012
Mão - Marcas
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