transforma-me num objecto e tenta ter prazer.
muitas vezes. mais do que eu conseguiria.
faz-me sentir, sem entraves psicológicos,
abruptas morais, incompletos contactos
regidos por luas, circunstâncias ou vontades.
solta-me. não vamos pensar. não agora.
afinal de contas, estas paredes são pedra
e estão mudas. estas paredes não falam.
estas paredes mortas não contam histórias
e são tristes sem nós. aqui és livre. não te julgo.
ninguém saberá uma palavra do que acontece.
lembra-te que enquanto esperas ossos enferrujam,
máquinas paradas e tristes cinzentas pelo tempo,
frágeis pelas circunstâncias em que os envolveram.
os ossos enferrujam, os olhos fecham-se, a mente
esquece quem uma vez fomos, como éramos
quando as palavras para as coisas eram outras,
quando tudo explodia e era real em si e nós,
nós só nos conseguíamos esquecer entre tudo.
pergunta: ainda te lembras do que é sentir assim?


