é com a melhor das intenções, acredita.
vamos continuar, mas muito devagarinho,
como quem está parado e não faz nada;
como quem está só e não sabe o que fazer
para voltar atrás ou acabar com tudo de vez.
afinal de contas, as coisas só doem no corpo
que nos pertence, cujos ecos escutamos.
o resto,
o corpo dos outros, não dói. nada. miragem
de carne. ejaculamos ódio. lugares comuns
da língua e da empatia. no fundo, nunca deixar
de temer vida e os outros e as mesmas opiniões
ocas. lamentar a possibilidade rara de fazer tudo:
o querer do que sempre se quis. ser sempre
quem sempre se foi e sempre foi escondido.
mas não. afinal de contas, não me dói nada fazer
o que dói em mim.


