02 junho 2012

Tudo isto é um erro

tudo isto é um erro.

o meu cérebro zeloso
corre silenciosamente
- sombra pela rua.

27 maio 2012

O que dói


é com a melhor das intenções, acredita.
vamos continuar, mas muito devagarinho,
como quem está parado e não faz nada;
como quem está só e não sabe o que fazer
para voltar atrás ou acabar com tudo de vez.
afinal de contas, as coisas só doem no corpo
que nos pertence, cujos ecos escutamos.
                o resto,
o corpo dos outros, não dói. nada. miragem 
de carne. ejaculamos ódio. lugares comuns
da língua e da empatia. no fundo, nunca deixar
de temer vida e os outros e as mesmas opiniões 
ocas. lamentar a possibilidade rara de fazer tudo: 
o querer do que sempre se quis. ser sempre
quem sempre se foi e sempre foi escondido. 
mas não. afinal de contas, não me dói nada fazer 
                o que dói em mim.

24 maio 2012

Ferrrugem


transforma-me num objecto e tenta ter prazer.
muitas vezes. mais do que eu conseguiria.
faz-me sentir, sem entraves psicológicos,
abruptas morais, incompletos contactos
regidos por luas, circunstâncias ou vontades.
solta-me. não vamos pensar. não agora.
afinal de contas, estas paredes são pedra 
e estão mudas. estas paredes não falam. 
estas paredes mortas não contam histórias
e são tristes sem nós. aqui és livre. não te julgo.
ninguém saberá uma palavra do que acontece.
lembra-te que enquanto esperas ossos enferrujam,
máquinas paradas e tristes cinzentas pelo tempo,
frágeis pelas circunstâncias em que os envolveram.
os ossos enferrujam, os olhos fecham-se, a mente
esquece quem uma vez fomos, como éramos
quando as palavras para as coisas eram outras,
quando tudo explodia e era real em si e nós,
nós só nos conseguíamos esquecer entre tudo.
pergunta: ainda te lembras do que é sentir assim? 

19 maio 2012

Reconhecimento


as pessoas amam na medida em que se reconhecem:
procuram um espelho na carne baça, alguém 
para reconhecer quem são quando mais ninguém olha.
de resto, mais um nome, outra cara, outro corpo arranjado
entre as lembranças de outros e inevitáveis comparações;
memórias possíveis, uma vontade incrível para contrariar 
as evidências caindo lentamente no poço profundo
onde se escondem os pixéis que já fizeram os dias.
o tempo passa e o mundo vai mudando à sua volta,
as vontades perdidas, os tempos desencontrados, 
os objectivos mútuos feitos aço sujo por detrás das palavras.
somos quem somos na mudança. quanto menos temos,
mais somos quem existe em nós na realidade. ilusões
completamente perdidas atrás de palavras insignificantes, 
sono, séries e filmes de má qualidade que servem para matar
o tempo e o silêncio. a verdade é a paixão transitória.
as vontades desrespeitadas surgem depois, inesquecíveis.
e depois... o verbo esquecer é sempre tão fácil de conjugar.