18 janeiro 2013
Qual house
que house, seja ela a música ou a casa
onde se regressa no final do dia
ou de mais outra semana; qual house
é aquela onde vivemos; quem somos
ou o que somos escondidos atrás de vidros
e espelhos, por vezes de palavras em longos
invernos da mente. qual house escutar
profundamente
quando nem vozes, nem telefones
nem nada
nos aproximam dos outros, excepto a noção
nossa dos outros na existência quotidiana
- e como odeio a palavra quotidiana, marca
de nojo e de rigor horário, de rotina podre
como uma lama que nos prende os pés.
qual house, a música que ecoa pelas ruas
entre casas fechadas e portões abertos,
entre casas mortas e casas prontas a habitar,
apagando o rasto dos esqueletos que riscaram
nas paredes uma outra existência tão breve
e semelhante à nossa. qual house é que é uma
feita carne, feita calor, feita hospitalidade de sangue
no fim de cada dia, breve como uma voz sobre
uma linha satélite, orbitando em volta de vontades
passageiras da nossa passagem. qual house esta
desta porta e deste portão riscados, assassinados
se para isso houvesse um espaço melhor e mais vida.
sem dúvida uma boa questão.
e ainda melhor a resposta construída sem palavras
nem perguntas nem afirmações retóricas:
pedra seca apesar da chuva - e das dúvidas.
17 janeiro 2013
Retrato
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| Retrato, 2013 |
os retratos raramente mostram quem é fotografado. o rosto, a representação apenas está lá por acidente. é uma desculpa para fazer. ou para melhorar quem se retrata. ou para oferecer uma racionalização das impressões que as pessoas nos provocam. acima de tudo, um retrato deve fazer-nos perguntar: quem será que existe fora desta imagem que tenho perante mim?
já que nunca conseguimos enfrentar as pessoas, conhecer alguém, entrar numa comunhão possível e visual com o que as pessoas são, escolhemos o retrato. uma reprodução mecânica para nos libertar das ambiguidades humanas, das limitações dos nossos sentidos e razão. e assim acabamos por mostrar mais quem somos, do que as pessoas que retratamos. não sei se me faço entender, mas este retrato não é diferente. mostra mais de mim do que um retrato meu - já que nunca conseguimos mesmo estar na mesma folha que as nossas representações.
este é o retrato do desconhecimento e da fuga.
15 janeiro 2013
14 janeiro 2013
02 janeiro 2013
corpo estranho
imaginar um corpo estranho e sentir asco
pelo corpo e tudo o que ele representa
- o que me aconteceu?
pelo corpo e tudo o que ele representa
- o que me aconteceu?
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