que house, seja ela a música ou a casa
onde se regressa no final do dia
ou de mais outra semana; qual house
é aquela onde vivemos; quem somos
ou o que somos escondidos atrás de vidros
e espelhos, por vezes de palavras em longos
invernos da mente. qual house escutar
profundamente
quando nem vozes, nem telefones
nem nada
nos aproximam dos outros, excepto a noção
nossa dos outros na existência quotidiana
- e como odeio a palavra
quotidiana, marca
de nojo e de rigor horário, de rotina podre
como uma lama que nos prende os pés.
qual house, a música que ecoa pelas ruas
entre casas fechadas e portões abertos,
entre casas mortas e casas prontas a habitar,
apagando o rasto dos esqueletos que riscaram
nas paredes uma outra existência tão breve
e semelhante à nossa. qual house é que é uma
feita carne, feita calor, feita hospitalidade de sangue
no fim de cada dia, breve como uma voz sobre
uma linha satélite, orbitando em volta de vontades
passageiras da nossa passagem. qual house esta
desta porta e deste portão riscados, assassinados
se para isso houvesse um espaço melhor e mais vida.
sem dúvida uma boa questão.
e ainda melhor a resposta construída sem palavras
nem perguntas nem afirmações retóricas:
pedra seca apesar da chuva - e das dúvidas.