deitados, conversando cansados e olhando o trapézio das quatro
linhas do tecto, descobrimos os nossos egos equilibrados
nesta cama
estreita e dura longe do frio húmido, da chuva, da solidão das
ruas rasgadas na pele durante horas acumuladas no vazio.
não, não te vou perguntar pelo teu passado. não o quero saber.
se o contares, vou escutar e esquecer. e tentar compreender-te
como és agora - não o que te trouxe aqui e a esta forma de mim.
escutamos um rumor, uma língua estranha e nova; guardamos
o alfabeto secreto das nossas peles debaixo da língua - para falar
melhor quem somos agora que temos horas e silêncios, segredos
- e que começamos uma história conjunta para contar, mais tarde,
à lareira.