Não sei o que escrever sobre o amor. Só me ocorrem lugares-comuns sobre comédias românticas, romances de cordel e egoísmo. Acabo sempre por expressar a minha desilusão pela incapacidade geral das pessoas em viverem os seus sonhos, em se esquecerem de quem são, em abandonar o orgulho, o bom-senso e os costumes rotineiros de uma vida para viverem alguém, o que para mim é cada vez mais uma das poucas coisas que, efectivamente, valem a pena. É mais fácil nos filmes, é certo. Os argumentistas tomaram cuidado para criar ilusões trôpegas, pequenos camiões emocionais que passam por cima de todos os que se cruzam, coleccionistas de solidões e de personagens com defeitos inultrapassáveis, mas cómicos.
Amei pouco. Disse amor poucas vezes a poucas pessoas. Sou antiquado nesse sentido. Apesar de ter crescido com a mesma dieta de filmes americanos, "love" sempre me pareceu diferente de "amor". Nunca gastei muito essa palavra. Da última vez que a disse, disseram-me para ter calma e perguntaram-me o que vale essa palavra? Se já a tinha dito antes. Disse-lhe que sim, mas que não a disse as vezes suficientes para ela estar gasta. Depois ela foi-se embora e nunca soube o quanto era diferente o meu amor por ela. O quanto era especial e única. Mas é sempre assim nas comédias românticas. Como seria diferente aqui?
Explico: estava partido. Tinha deixado de acreditar que o amor é possível quando nas conversas, nos gostos, nas expressões apenas se pressente uma vontade vaga de posse, de fuga à solidão. Ferramentas humanas de preenchimento de noites solitárias e camas frias. Superficialidades e desconfianças. E depois voltei a acreditar. A reencontrar-me num centro de mim que estava fechado há muito. Voltei a saber que não me é suficiente o sabor desconhecido da pele, a excitação do sexo - tudo o que for menos que uma iluminação não me chega. Olhar uma pessoa, única, e sentir o mundo a explodir por dentro. Sinto-me uno agora. Sei que temos pouco tempo aqui e sinto-me velho e antiquado. E estúpido porque sei que não sou assim tão velho, mas sinto o corpo a abrandar por dentro e estou aqui a escrever um texto sobre o amor, sem saber os motivos concretos pelos quais o faço. E esforço-me para que isto não fique com aquele tom moralizante que odeio.
Vi esta frase "fear less. love more." escrita hoje nesse propagador de banalidades que é o Facebook. E se tivesse de escrever uma frase para dizer a certas pessoas, especiais, era isso que diria. Para umas em tom de desculpa, porque ou fui uma criança imatura e tive medo - ou fui um estúpido e fugi do passado e do presente e do futuro possível; para uma outra, agora, única só para mim, para que compreendesse que ainda há tempo para deixar as longas tardes de domingo soprarem quentes sobre os nossos corpos imóveis no sofá. E isto sim, são só palavras - porque o que eu queria dizer é muito mais do que isto, mas não aqui. For your eyes only, quando quiseres.Entretanto terei de aprender a viver com a ausência, as sombras de sombras em que se tornam as memórias.
16 junho 2013
14 junho 2013
Agora vai ser assim: nunca mais te verei. Este facto simples, que todos me dizem ser simples, trivial, e humano, como um destino orgânico e sensato, Fica em mim como um muro imóvel, um aspecto esquecido e altivo de todas as coisas, de todas as palavras. Sempre nos separaram as circunstâncias, e a essência mesma dos dias, quando entre a relva e a copa das árvores me esquecia de pensar, e o ar passava por mim antes de erguer os caules verdes e alimentar a vida sem imagens da paisagem. Marcávamos férias em meses diferentes. O fim do ano, a páscoa, calhavam sempre em outros dias. Tesouras surdas rompiam o cordão dos telefones, e por engano urgentes cartas atravessavam o planeta, apareciam anos depois no arquivo municipal. E mais: a minha idade, a tua, não poderiam nunca encontrar se no mundo.
She said that she would prefer a broken neck to another broken heart. I said “Remember, even the beauty of birth leaves its own scars And know that you will find your home right where you are.” She said, “I know it sounds cliche, but I really am just waiting to exhale.” She’s not looking for a perfect man, she ain’t holding out for Denzel She’s just looking for a real man, But she said “Most of the realest were in graves or in jail” Just an upright brother, but she’s left with low down brothers, homo thugs, and downlow brothers.
And it took her some time with herself to discover That having love is even more important than having a lover But what am I supposed to tell her? That it’s going to be okay? But it may not be. It may be hard and ugly, Difficult, complicated, rough and bloody And I said, “So many women are struggling”
She said, “Yeah, I’d like a man to kiss me, I’d like a man to hug me But he’s gotta truly love love before he can truly love me” I said, “I feel you.” She said, “No, you’re not feeling me. We are women bringing up seeds, Our own sons grow up thinking love is a disease Ducking and dodging real relationships, and just gonna take what they please And they treat pregnancy like it’s an STD If the test comes back positive, it’s a negative And they are ghost in the streets, Drunk in the wind, only a moment is spent and those moments are brief Our sons’ role models are rolling stones unknown or deceased They figure we can’t teach them manhood, so they’ll get grown in the streets So in the cold world they find warmth with the men holding the heat.
“I said “There’s gotta be a change.” She said, “Yeah, it’s gotta be more than poems on TV” I said, “I feel you.” She asked me how I survive. I said, “By Allah, it was my mother otherwise I would have been dead, crazy, institutionalized.”
“She kept us in the good neighborhoods, even though she couldn’t keep on the lights So we could go to the best schools learning to read and to write. Sometimes we’d be so broke, in the store, she’d have to pick between the beans and the rice. Sometimes she’d put ketchup on a navy bean so it wouldn’t seem like we’re eating the same thing every night. Two jobs during the day, and one at night. And the stuff I saw her endure, I never wanna see my wife [endure] So I know being a man is more than being male, and I’m focused on doing it right.”
“But when I think about my childhood, I don’t think about poverty I remember how she hugged me, kissed me, taught me, loved me. And I know you prefer a broken neck to another broken heart Broken parts that litter the night sky like stars. But remember, even the beauty of birth leaves its own scars And know that you will find your home, right where you are We will find our homes right where we are.”
COMODISTA HESITANTE, protegido das cabeleireiras e cliente frequente dos feriados nacionais, acredita nos encontros fortuitos assim como um relógio estragado acredita aproximar-se de uma hora astral. Estes hábitos podem até ser tolerados Em contos naturalistas E reality showers. Nós, aqui, little stranger, Degolamos pardais e fadas de porcelana. Cobramos interesses à alegria E vendemos suites com piscina na lua. A batalha é nossa, Já alugámos as trincheiras, Mas custa tanto tirar os pijamas. Como uma flor de plástico na montra de um talho, Golgona Anghel, Assírio&Alvim, Maio 2013 Um dos melhores livros de poesia que tive oportunidade de ler nos últimos tempos