Ao longe tem aquele brilho baço de uma pedra
suja e pouco preciosa. Aproximando os olhos
vemos os vultos (dois) e o cansaço daquela
máquina, a madeira inchada e manchada;
os metais brilhantes das mãos e do óleo
que cai dos bidões de plástico azuis
- uma vez azuis - e se perde no chão.
Ele inclina-se através da janela
do passageiro. Retroiluminados
por um farol cliché - lábios
que se movem - silenciados
pelos motores. Espreitam
do restaurante em frente;
alguém se dirige, passos
lentos pelo corredor
das mesas até à porta
onde vai gritar Venha!
Ele não sabe.
Está de costas
para o trabalho,
olhos abertos
para o amor.