28 outubro 2014

Amor no camião de recolha do óleo

Ao longe tem aquele brilho baço de uma pedra 
suja e pouco preciosa. Aproximando os olhos
vemos os vultos (dois) e o cansaço daquela 
máquina, a madeira inchada e manchada;
os metais brilhantes das mãos e do óleo
que cai dos bidões de plástico azuis
- uma vez azuis - e se perde no chão.
Ele inclina-se através da janela 
do passageiro. Retroiluminados 
por um farol cliché - lábios
que se movem - silenciados
pelos motores. Espreitam
do restaurante em frente; 
alguém se dirige, passos
lentos pelo corredor 
das mesas até à porta
onde vai gritar Venha!
Ele não sabe. 
Está de costas
para o trabalho,
olhos abertos

para o amor.