21 fevereiro 2007

apenas isso

apenas isso.
rios de dinheiro inundando as margens do divertimento
que preciso precioso para me sentir vivo e normal
para me alhear de tanta informação que me fode
pelos ouvidos e pela vida a que me obriga
estática, a ténue imagem que temos formada do mundo
deformada pelo véu cinzento da estática
o engano inicial origina-se numa presunção de imparcialidade
          tudo é maya
e essa enorme ironia sarcástica enriquece e aparece na TV
que vos tráz em directo cortes na imagem numa ilusão de continuidade
um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop um loop
          e homens ruminando imagens clichés
"o que é o homem, mãe?"
é quem tráz comida para casa quem protege e acarinha
quem educa e exemplifica como existir
"de que ter medo, pai?
olha que o coração é traiçoeiro e a voz cala-se e tu apercebes-te
do relógio o tempo cadenciando o teu silêncio
as preocupações que se amontoam
o vómito de tudo isto que te rouba a vida
MERDA CARALHO FODASSE PUTA QUE PARIU
          normalidade
aqui está o trânsito do dia, as pressas, os stresses,
as cansadas sibilações de quem treme nervoso
ao fim do dia o que fazer? que fazer? que fazer?
fecho os olhos cansados por momentos
como tu que te procuras em palavras anónimas
doem com o peso do brilho do monitor
agredidos por proféticas radiações
tudo para ser um homem racional "em terra de cegos"
...nada de inteligente sai de mim
sou enformado por uma existência demasiado cerebral
que me compele a anotar todas as minhas frustrações
(inocentemente fiz pessoas enlouquecer testando a sua resistência
a pequenas doses de ácido lisérgico: o cérebro cedeu, terramoto de personalidade
e pufff... novo homem com uma pele de traumas
          novas sensibilidades
mais um prisioneiro do teatro de sombras)
por vezes sinto-me cansado como ele e já não o vejo há anos
          perdeu-se
sei que se fumar outro não vou conseguir recordar
          o que quero
ponto fixo do universo, casa do homem real e único
que tenta reformular o barro e a lama da sua vida
chegam as palavras
chega o tempo perdido
antes do equilíbrio
          e do silêncio