uma da manhã e brincam com o tempo
perguntando ao tempo quanto tempo tenho
mais para esperar o tempo que não vem.
uma da manhã e toda a semana ouvi não
atrás de não, atrás de não, atrás de não.
uma da manhã e a única hora de contacto
completo passou-se na ruína completa
de um gesto que impôs silêncio.
uma da manhã e brincam com o tempo
e a perda das horas na noite sob os olhos;
futuro adiado e incompleto em ritmos quentes:
bossa lenta, o sono adiado numa vígilia,
infindável como o tempo que o tempo não tem.
uma da manhã e a água purifica os sexos
usados das mãos, as mãos do sexo
sem nexo e desconexo na noite milenar;
voyeurs estão mais perto, cada vez mais longe.
uma da manhã e procuramos esconder a nossa nudez
nas sombras de prédios-cogumelo,
milhares de olhos e frases sem sentido;
milhares de janelas e milhares de lágrimas
que apagam a chama,
lentamente,
como uma vida.
uma da manhã e o dia apaga-se e morre.