22 junho 2007

uma da manhã e brincam com o tempo

uma da manhã e brincam com o tempo

perguntando ao tempo quanto tempo tenho

mais para esperar o tempo que não vem.

uma da manhã e toda a semana ouvi não

atrás de não, atrás de não, atrás de não.

uma da manhã e a única hora de contacto

completo passou-se na ruína completa

de um gesto que impôs silêncio.

uma da manhã e brincam com o tempo

e a perda das horas na noite sob os olhos;

futuro adiado e incompleto em ritmos quentes:

bossa lenta, o sono adiado numa vígilia,

infindável como o tempo que o tempo não tem.

uma da manhã e a água purifica os sexos

usados das mãos, as mãos do sexo

sem nexo e desconexo na noite milenar;

voyeurs estão mais perto, cada vez mais longe.

uma da manhã e procuramos esconder a nossa nudez

nas sombras de prédios-cogumelo,

milhares de olhos e frases sem sentido;

milhares de janelas e milhares de lágrimas

que apagam a chama,

lentamente,

como uma vida.

uma da manhã e o dia apaga-se e morre.