01 janeiro 2008

o que é essa coisa chamada amor?

peso enorme no peito
cérebro paralisado
beijos frios entre cadáveres
loucura ambulatória
engano e mentira
manhãs pristinas
pesadelo sónico
oceânico corpo
desilusão e desilusão
         acumuladas
constante ausência
o telefone interrompido
todas as palavras por dizer
a certeza da posse ao acordar
fodas sórdidas em carros
amor feito em quartos mil vezes usados
         mil vezes esquecidos
o mundo entre cada palavra

          vácuo

o sexo frio na mão quente
carros rolando em silêncio
opostas trajectórias em queda
         o brilho no olhar
as palavras rápidas
         a harmonia

o vácuo entre cada palavra

         o calor do corpo
mãos febris que se procuram
corpo encerrado em prisão plástica
          impossível união
canibalismo da vontade
costas mordidas e mente arranhada
          (a alma morta)
entre gemidos um contacto fugaz
um grão de pele que se reconhece
a ilusão benigna
          o anel
o grão de pele perdida

o tempo que nunca foi

nosso

1 comentário:

MADRUGADA... disse...

Belo texto!...