28 setembro 2008

Ressacas

(de passagem rápida pelo cerco do porto)

Comprimem os corpos magros
no ansioso buraco que os serve
a estrada corre ao lado
          negra e rápida

é só uma questão de tempo
agora a agulha espera
soberana hipodérmica
marcando o tic-tac do relógio mental
          (o outro foi vendido)
há o fogo, os ácidos naturais
que corroem os dedos e a pele fraca

os enigmas intravenosos já não são um desafio
sob a magra luz verde dos seus olhos

concentração entre o lixo e o silêncio
é esta madrugada que os sustenta
e é este o momento em que o mundo pára

a agulha, esse metálico sexo que fura a pele
mil orgasmos de sangue e a desagregação
          o corpo e a luz
mas aqui nada é iluminado e a corrida termina
          no coração parado

- todas estas faces são anónimos relâmpagos
que fazem a multidão cega tremer.

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