(de passagem rápida pelo cerco do porto)
Comprimem os corpos magros
no ansioso buraco que os serve
a estrada corre ao lado
negra e rápida
é só uma questão de tempo
agora a agulha espera
soberana hipodérmica
marcando o tic-tac do relógio mental
(o outro foi vendido)
há o fogo, os ácidos naturais
que corroem os dedos e a pele fraca
os enigmas intravenosos já não são um desafio
sob a magra luz verde dos seus olhos
concentração entre o lixo e o silêncio
é esta madrugada que os sustenta
e é este o momento em que o mundo pára
a agulha, esse metálico sexo que fura a pele
mil orgasmos de sangue e a desagregação
o corpo e a luz
mas aqui nada é iluminado e a corrida termina
no coração parado
- todas estas faces são anónimos relâmpagos
que fazem a multidão cega tremer.
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