Já nada tenho para ti
apenas mãos cheias de cinza
e o corpo coberto pelas águas
um pássaro canta
mas o mundo persiste
submerso no silêncio
sou nada
sei agora
que sou nada
e a madrugada é uma lâmina
que se engole a custo
quando se desconhece
como fazer a vida
quando se descobre o tempo
a vã juventude que se esvai
como uma veia aberta
já disse
nada tenho para ti
agora
as mãos são um pasto de líquenes
e o corpo ficou consumido por um fogo
agora apagado.
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