Acaba sempre por ser estranho estar.
Acordar fixando a luz
Afastando os sonhos,
Esperando que o sono não volte,
Calmo,
Para conseguir contar os passos do dia
E os lentos dramas da existência.
Nunca me imaginei
Assim
Distante do que procurei,
Do que quero, naufrago nos incompletos mares
Do dia sem marés e de duvidosa lua e sorte.
Esta é a circum-navegação das minhas intenções
E avançamos em direcção ao nada
E a perdas de tempo e a erros e desilusões…
E que mais?!?!
É complicado viver sem um rumo;
Sem um objectivo palpável,
Tábua da salvação de onde arrancamos
A confusão asfixiante do afogamento.
Nunca imaginei que fosse assim
A tortura das oito horas
(Ou mais);
Os amigos digitais e inconsistentes;
As falsas mulheres das montras;
O desejar…
Não ter tempo para desejar o corpo
Real
Falta de espaço e de tempo
Como se existisse, mas numa dimensão à parte
Sem tempo, lógica,
Corpo ou vida.
Não sei.
Nada sei.
Sou um homem – e sempre fui simples.
Tinha mais força quando passava os dias ao sol
Costas na terra, peito na relva
Peito na terra, costas na relva
Costas na relva e o sol…
E por cima de mim o céu
- E à minha volta verdes vozes de amigos
Em dias calmos e dourados.
Para onde foram?
Este é apenas mais um dia que passa,
E esta é a sua febre,
A pele a arder nos desejos incumpridos.
Vivemos os gestos e palavras por completar
As coisas que esquecemos de fazer ou viver.
Que sons ouvimos no meio deste silêncio atroz
Que nos persegue a velhice que nada tem para contar?
Os olhos já estão quase fechados e ainda haveria tanto tempo
Para lembrar…
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