08 junho 2009

Os olhos já estão quase fechados

Acaba sempre por ser estranho estar.
Acordar fixando a luz
       Afastando os sonhos,
Esperando que o sono não volte,
       Calmo,
Para conseguir contar os passos do dia 
E os lentos dramas da existência.

Nunca me imaginei 
       Assim 
Distante do que procurei, 
Do que quero, naufrago nos incompletos mares 
Do dia sem marés e de duvidosa lua e sorte.

Esta é a circum-navegação das minhas intenções 
E avançamos em direcção ao nada 
E a perdas de tempo e a erros e desilusões…

        E que mais?!?!

É complicado viver sem um rumo;
Sem um objectivo palpável,
Tábua da salvação de onde arrancamos
A confusão asfixiante do afogamento. 

Nunca imaginei que fosse assim
A tortura das oito horas
        (Ou mais);
Os amigos digitais e inconsistentes;
As falsas mulheres das montras;
       O desejar…

Não ter tempo para desejar o corpo
        Real
Falta de espaço e de tempo
Como se existisse, mas numa dimensão à parte
Sem tempo, lógica, 
Corpo ou vida.

        Não sei.
        Nada sei.
Sou um homem – e sempre fui simples.

Tinha mais força quando passava os dias ao sol
        Costas na terra, peito na relva
                Peito na terra, costas na relva
        Costas na relva e o sol…
                E por cima de mim o céu
- E à minha volta verdes vozes de amigos
        Em dias calmos e dourados.

        Para onde foram?

Este é apenas mais um dia que passa, 
        E esta é a sua febre, 
A pele a arder nos desejos incumpridos.

Vivemos os gestos e palavras por completar
As coisas que esquecemos de fazer ou viver.

Que sons ouvimos no meio deste silêncio atroz
Que nos persegue a velhice que nada tem para contar?

Os olhos já estão quase fechados e ainda haveria tanto tempo 
        Para lembrar…

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