Todos os dias passo pelo café
Do gajo mais fixe do liceu. Ele
É recordado: era importante e
Andava a partir uma gaja boa
Dentro do seu BMW 318; ia
A discotecas e tinha um taco
De notas. Agora não é assim
Tão fixe: engordou até se parecer
Com um rato velho que serve
Cafés a velhos e a trabalhadores
Braçais com um amor difuso
Por bagaços matinais. As torradas
Que serviu são incontáveis,
Os programas matinais assistidos
Substituíram a juventude por rugas
E cabelos brancos. Era mais uma
Meia de leite por favor... clarinha.
Roda em volta dos pés do pai,
Controlando o negócio familiar, e sei
Que já não se recorda quando o nariz
Cheirava outra farinha que não a dos bolos,
Quando outro açúcar para a vida o controlava.
Como muitos, parece respeitável com o carro
E filho e mulher obesa, mas sei que,
Todas as sextas,
Sem que ninguém saiba ou se importe,
Continua a visitar as mesmas putas
Da infância, procurando uma juventude
Que substitua aquela que perdeu.
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