é para isto que comemos, sob outra
forma, esta merda; para manter
os desejos, raivas e o fardo
indiscritível deste corpo. ainda
assim, apesar de todas estas
fraquezas que se estendem como
dedos de osso na pele, todos
procuramos a nossa forma triste
e particular de responder
às imposições do sucesso.
Ser através de coisas, um peso
que nos prende ao centro da terra,
ao centro do nosso umbigo animal;
aqui, para isto, vale tanto o sonho
infantil de uma bicicleta quitada
com rádio faz-de-conta e fita isoladora
preta ou a exuberante virilidade
financeira de um M6 estacionado
à porta da nossa infelicidade.
Entretanto, enquanto o cabelo sustém
a espada da dívida, movemo-nos
de olhos abertos e mãos vazias, a boca
cheia de estranhos sons, pelas costas
do silêncio arrítmico da noite. Sabemos
finalmente que no gume do risco
há sempre um prejuízo.
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