15 setembro 2010

a fome

qual era mesmo a frase em que pensava 
quando entrei em casa e a encontrei,
vazia e silenciosa? o poesia perde-se
entre o azeite e o bife, a mostarda
daquela que metemos nas sandes 
e que nada tem a ver com a indignação;
todos estes ingredientes da minha
indigestão, do imaterial vazio da fome
que não pede alimento. não, 
não me comovo com o sofrimento dos 
animais que outras mãos mataram
para eu me alimentar, nem quando vejo
o teu corpo inerte no sono, abandonado. 
só penso no buraco que tenho no centro 
do meu ser e que tenho de preencher
com carne e sangue e algum sofrimento,
tortura. sabes, eu não sou uma pessoa boa.

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