Apesar de jovens, há todo um peso
maior que o tempo sobre eles
e os seus fatos
e as suas camisas
e os seus telemóveis
e o seu tédio.
Sentados na mesa do canto,
à esquerda de quem entra,
entre luz e sombra matemática
quadriculada, bebem duas águas
long drink, gelo e limão. Olhos,
se os têm, estão colados aos ecrãs
dos telefones, banho de luz, imitação
de talho nos seus rostos. Não trocam
palavra, não falam, não se olham
- estão sós em si, um no outro, entre
todos e agarram-se desesperados
a farrapos de conversa, apontam
os dedos em breves comentários,
trocam três palavras de cinza e nada.
Olho-os. Olho o papel. Desapareceram.
Sombras rápidas. Bons empregados.
Homens perfeitos deste novo mundo.
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