29 abril 2011

Dois executivos sentados numa mesa do Candelabro

Apesar de jovens, há todo um peso
maior que o tempo sobre eles
e os seus fatos
e as suas camisas 
e os seus telemóveis 
e o seu tédio.
Sentados na mesa do canto, 
à esquerda de quem entra, 
entre luz e sombra matemática
quadriculada, bebem duas águas
long drink, gelo e limão. Olhos,
se os têm, estão colados aos ecrãs
dos telefones, banho de luz, imitação
de talho nos seus rostos. Não trocam
palavra, não falam, não se olham
- estão sós em si, um no outro, entre
todos e agarram-se desesperados 
a farrapos de conversa, apontam
os dedos em breves comentários, 
trocam três palavras de cinza e nada.
Olho-os. Olho o papel. Desapareceram.
Sombras rápidas. Bons empregados.
Homens perfeitos deste novo mundo.

Sem comentários: