Sinto o insecto a crescer no peito.
Sobre e dentro da pele.
Alimenta-se de mim.
Já não sei mais se respiro ou se é ele
que sopra o ar pela minha boca, pelo meu nariz,
no ritmo
da inconsciência dos gestos automáticos.
Não consigo comer.
Não consigo dormir.
Não consigo
abraçar ninguém com estes braços
de quitina. Tenho como companhia a tábua-rasa
da sombra. Ninguém confia num homem
com um besouro dentro, que cheira a coisas
mastigadas e a saliva; com ruídos
dentro, com o esgar de dor ocasional
quando as mandíbulas interiores
atingem algo
- que não o tecido mole que levamos dentro.
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