14 setembro 2011

O insecto


Sinto o insecto a crescer no peito. 
Sobre e dentro da pele.
Alimenta-se de mim. 
Já não sei mais se respiro ou se é ele
que sopra o ar pela minha boca, pelo meu nariz, 
no ritmo 
da inconsciência dos gestos automáticos. 
Não consigo comer.
Não consigo dormir. 
Não consigo 
abraçar ninguém com estes braços
de quitina. Tenho como companhia a tábua-rasa 
da sombra. Ninguém confia num homem 
com um besouro dentro, que cheira a coisas 
mastigadas e a saliva; com ruídos
dentro, com o esgar de dor ocasional 
quando as mandíbulas interiores 
atingem algo
- que não o tecido mole que levamos dentro.

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