deixa estar o mundo, a gente consegue fugir
à roda da rotina, aos gráficos do cansaço e
às químicas absurdas da luz; às horas
e ao espaço, às pessoas que nos rodeiam,
ao vazio lá fora, ao silêncio estéril e poeirento
de mais um dia de horas acumuladas. não importa
onde, mas há o golpe de sorte de uma cama estreita
onde nos apertarmos, um termoventilador a sussurrar
o seu calor fechado neste quarto espartano, quatro
paredes da nossa privacidade onde oferecemos
o corpo às bocas e às mãos e depois ao calor do sono,
adormecendo apenas com a certeza absoluta dos braços
que nos seguram e impedem a nossa queda no vazio.
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