15 agosto 2007

O incompreensível poema

Sabes que detesto títulos
a redução de um nome próprio
a prisão do pensamento
          e do seu corpo
à simplicidade do abstracto

Escrevo para te falar
para nos furtar às horas
que os dias recusam
e que sentimos na memória

Pontes de palavras pela noite
quando nela escavo o meu
sustento de papel
quando o que abraço é frio
          e sem corpo

          Este É o teu dia

Seria nele, no momento,
que construiríamos o sorriso
e o calmo sono sem palavras
escutando os segredos que a cidade
          murmura
enquanto vive à nossa volta
imenso turbilhão de faces
disformes e cansadas

Nada interessa
          - estamos aqui
e nas nossas mãos nascem as horas.

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