Sabes que detesto títulos
a redução de um nome próprio
a prisão do pensamento
e do seu corpo
à simplicidade do abstracto
Escrevo para te falar
para nos furtar às horas
que os dias recusam
e que sentimos na memória
Pontes de palavras pela noite
quando nela escavo o meu
sustento de papel
quando o que abraço é frio
e sem corpo
Este É o teu dia
Seria nele, no momento,
que construiríamos o sorriso
e o calmo sono sem palavras
escutando os segredos que a cidade
murmura
enquanto vive à nossa volta
imenso turbilhão de faces
disformes e cansadas
Nada interessa
- estamos aqui
e nas nossas mãos nascem as horas.
Sem comentários:
Enviar um comentário