20 setembro 2007

Diários a Rum, Super Bock, Raki e algum bagaço para lavar os dentes

"I shared a vagrant optimism that some of us were making real progress, that we had taken an honest road and that the best of us would inevitably make it over the top.
At the same time, I shared a dark suspicion that the life we were leading was a lost cause, that we were all actors, kidding ourselves along on a senseless odyssey. It was the tension between these two poles - a restless idealism on one hand and a sense of impending doom on the other - that kept me going."

Thompson, Hunter S., The Rum Diary


Por onde começar?

Primeiro o livro: "The Rum Diary", "Diário a Rum" em português, a história de um pasquim noticioso que se afunda... Salários por pagar, espancamentos no meio da selva, delírios alcoólicos... Algures lá no meio surge algo de semelhante ao amor ou a um desejo carnal incontrolável. Mas é apenas um lampejo fugaz num mar de areias movediças. A fragmentação é completa no fim; o colapso físico e mental das personagens anuncia a mudança total.

Segundo: o porquê...

Bom,as semelhanças com a minha história são brutais. Pelo menos na parte do pasquim, de me terem tentado espancar em plena selva urbana e do não ser pago... pena é não estar nas Caraíbas para o rum ser barato e a rodos. De qualquer forma, escolhi este parágrafo porque, apesar das dificuldades presentes, está cheio de um optimismo que só se encontra na juventude. Não sabe para onde está a ir, nem como... mas vai e acredita que o melhor vai acontecer a quem o merecer. Pronto, isto também é muito americano - e vocês sabem do que estou a falar: o espírito empreendedor, um certo determinismo pueril, demasiadas aulas de Cultura Norte-Americana... Apesar desta interrupção no fio discursivo que se renova na vossa cabeça com cada nova palavra, a personagem vivia porque sabia que não podia ficar parado; tinha de atacar.

Contrastando:

É excruciantemente lento o processo para efectivamente fazer algo. E os retrocessos apagam sempre todo o caminho percorrido - parece que nunca nada aconteceu. E a importância atribuída a pormenores completamente mesquinhos... É um sistema assente no seu próprio caos. Bahhh!!! Asco!

Na falta de rum tento apagar o cérebro que pensa no engano com umas super bocks... algum Raki para facilitar a digestão... um bagaço para desenjoar... Não paro de pensar em como, subitamente, tudo se tinha alterado. Não falo apenas do trabalho: isso, no âmbito geral, até é pouco importante. Falo da quantidade de acontecimentos que se precipitaram em catadupa, como uma imensa torrente finalmente livre; a quantidade de pessoas que partiram e vão voltando; um tempo que subitamente se tornou tortura e passa demasiadamente rápido encurtando os dias. Mas o melhor vai acontecer a todos eles e isso traz-me um sorriso aos lábios. E, apesar de nunca me ter visto como uma daquelas pessoas "feitas" para algo, acredito também que sou capaz. Não há descanso no alcool.

Pela madrugada fora, em direção à exaustão, vou indo eu na estrada do meu sucesso relativo.

Um brinde mais, apenas:

À vida que tento construir.

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