Onde estou? Onde está a natureza que alimentou a minha infância? Ergo os olhos de um mar de branco, um paúl de gemidos brancos (…) sinto os mecanismos do meu corpo, a sua complicada relojoaria a falhar. Nos astros a suprema verdade da geografia que tracei… Ou não? É hoje o dia? Agora a hora?
Minha pobre Ofélia afogada no rio da minha multiplicação em Homem e Poeta. Um mero fingidor, sem dor nem remorso nem arrependimento. Passei ao lado do sentido; tudo senti sem nada conseguir alcançar. Uma ficção de um interlúdio que agora se torna mais claro. Uno finalmente! Sinto o peso de muitas vidas a sair-me da alma, fico mais leve. Flutuo por entre um rio que sou eu mesmo e o Outro. Anos a viver anónimo entre todos, multiplamente incompleto. Íbis, uma ave esquisita a contemplar os mistérios do Nilo.
Estive perto do Mestre na Boca do Inferno. Toquei-lhe a mão aquosa antes de ele desaparecer nas sombras. Iô Pã! Iô Pã! Iô Pã! Vem com a tua bacante cálida e loira! Iô Pã! Iô Pã! Iô Pã! E os mistérios da tua cerimónia! Iô Pã! Iô Pã! Iô Pã! E o mistério do espírito arguto.
Agora estou aqui, não mais o estrangeiro, mas encoberto ainda na memória que já se desvanece no meu silêncio. Eis que regressam das sombras: os meus amigos; eu mesmo nos Outros sem mim. Rodeiam-me a cama. Não estou só como nunca estive (…) Já não me vejo (…)
- “Dá-me os óculos!”
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