17 abril 2008

a solidão dos dias

acordo para a trémula água das palavras
canto outro corpo
serei aquilo que fôr possível ser na solidão da casa
onde as aranhas interromperam o trabalho das teias
e nunca mais voltam

em cada gesto agora petreficado
frente ao espelho descubro que sou o único a saber
quem és...lume e pó de cidade
tatuados no reflexo aquático do luminoso corpo

a sombra transparente dum veleiro fende a memória
tacteio-me para corrigir a realidade...entro no espelho
líquido a líquido procuro as mãos e o nome
sabendo como é sempre exterminadora a madrugada

sou um feixe de poeira...perdi a consistência
reclino o corpo de tinta inacessível à dor
sorrio enfim ao desejo de querer morrer

al berto

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