29 janeiro 2009

Derretendo os plásticos

Quase que te imagino
alinhando as palavras
entre cigarro aceso
e cigarro fumado

Com o mesmo gesto

Com que rolas os dedos grossos
e o disforme ganha forma
e o tabaco e mortalha são cigarros
- ou prenúncio de morte -
e a palavra e o papel poema

Mas imagino-te sim
entre cinza e o zumbido do motor
entre a decisão rítimica
e a gramática

Muito dizes
do ódio ou do amor,
a simplicidade do mundo,
traçada como um fino,
vidas plásticas derretendo pesadelos
entre duas palavras encerradas em silêncio.

Vejo-te enlouquecer entre palavras
sem saber que fruto retirar da árvore dos sentidos
e vejo o fumo que respiras

A humana forma de matar a solidão
o motivo do refeito mundo
que dá sentido às palavras que ouves
e ao lento desenrolar dos dias.


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