13 outubro 2009

Horas vazias

Senta-se vazio atrás de uma chávena
Vazia sobre uma mesa que, não fosse
A chávena e o homem, estaria vazia. Lê
O horizonte predial com os olhos agitados
E indecifráveis, atento às vibrações do ar.

Portanto, o homem vazio atrás da chavena
Vazia olha o vazio e sente-o. Até aqui nada
Se passa excepto as horas marcadas pelas
Cervejas e o correr simples da caneta e
O alheamento de quem não pertence ao mundo.

Um vulto magro chega, altivo sob o mercúrio
Das luzes da nossa noite e ilumina outros olhos.
Afinal, o homem vazio sentado atrás da chávena
Vazia esperava a sua incerta substância.

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