18 novembro 2009

És o que és e aparentas ser

És o que és e aparentas ser, sem engano, 
Da cabeça aos pés - ou talvez sejas mais
E sob ti se esconda todo o terror do mundo.
Da camisa salmão ao cinto de couro entrançado
Tentas projectar a imagem certa do sucesso
Que conheces e te disseram que era correcto.
O sapato de vela é o toque desportivo no teu
Andar pressuroso, andar de quem tem (e pensa)
Em algo mais importante do que quem atropela;
O lenço, tão in nas únicas revistas que lês e conheces,
É o teu próprio ponto final esvoaçante e cheio de graça 
- gentilmente fornecido pelos grandes armazéns 
Onde perdes dias a escolher-te, a pintar a tua fantasia. 
Com tudo o que escrevi, e apesar de todo o dinheiro 
Que gastaste, continuas a valer menos de nada, 
Mas vestes bem - e isso sempre representou algo. 

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