29 novembro 2009

Exercício 1 - ser inanimado

      Está escuro aqui e não sei bem onde me encontro. Já nem sei há quanto tempo ando a trocar de mãos, de saco em saco até a uma algibeira qualquer. Ontem, não sei a que horas porque o tempo não foi uma invenção minha, vi a luz por umas horas, vozes, a textura de umas mãos familiares que me passavam a outras desconhecidas e depois o aconchego do tecido quente que amparou a minha queda.
      Agora, continuo aqui nesta prisão escura, não sei por que motivo; não sei porquê, mas estou aqui alheio e sem serviço. Outros pedaços de mim serviram para organizar o mundo: chão, paredes, tectos (este papel onde me dão substância e a que empresto a voz que não tenho), mas eu fiquei aqui parado nesta algibeira para nada.    
      Para ser esquecido afinal, pelo menos até uma qualquer mão me tirar daqui e, se tudo correr bem, me devolver a um mundo que conheço.

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