é no abismo do teu umbigo que repousas;
olhos, boca, vontades - tudo a ti regressa
sem que alguma vez de ti saias para tocar
ou compreender quem te rodeia. envelheço,
eu, compreendendo que quem tem pode
dar-se ao luxo da altivez, do repouso, das
viagens que apenas servem para fugir
do que não se consegue enfrentar. apesar
de tudo, eu compreendo: atenção, carinho,
servilismo e um criado é tudo o que precisas
para ser feliz: queres coisas para encher
esse mundo vazio que percorres com palavras,
que os dedos nunca chegam a aflorar. sabes,
o valor de um pedido é compreendido, mas
também se compreende o valor da oferta
- afinal de contas, vivemos num sistema
de procura e oferta. também, à medida da velhice
que me enche, já não espero que ninguém
me ofereça algo ou responda à minha procura
- por isso, vive bem e não me procures mais.
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